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GT Capoeiras Local: Espaço Verde/ Prédio do curso de Teatro/ EBA Coordenadores: Ernani Maletta (UFMG) e Laure Garrabé (Paris VIII) A cena luso-afro-brasileira: matrizes estéticas e culturais do teatro de língua portuguesa Alex Beigui de Paiva Cavalcante UFRN Devido aos esparsos trabalhos acerca das matrizes estéticas e culturais que envolvem a produção, influência e interferências das formas de criação teatral entre países de língua portuguesa, através, sobretudo, de um estudo comparado que possibilite o diálogo, bem como o mapeamento crítico-analítico de um conjunto significativo de grupos e de manifestações artísticas nos diferentes países (continentes) ligados pela língua e, parte significativa desses territórios, pela cultura, tornou-se cada vez mais difícil a identificação de elos e correntes de força que ligam o teatro contemporâneo ás formas cênicas dentro de uma ampla e comparada perspectiva histórica. A influência das matrizes cênico-dramatúrgicas de língua francesa, inglesa e alemã se sobrepôs seja por meio de uma influência inegável da crítica teatral brasileira, preocupada principalmente em equacionar a distância entre referente e tradição européia, seja por meio ainda de uma visão colonialista de absorção de modelos exógenos, cuja disseminação aponta para o recente e inevitável enfrentamento dos núcleos de discussão e debates acerca da produção cênica entre os povos ibero-afro-brasileiros, incluindo o Timor Leste. A pesquisa teve início em Maputo – Moçambique. Cavalo marinho da Zona da Mata Norte de Pernambuco: oralidade e dramaturgia Carolina Dias Laranjeira, UFBA, Dançarina. Mestrado em Artes (IA-UNICAMP) / Doutoranda em Artes Cênicas (PPGAC-UFBA) Universidade Federal da Bahia (UFBA) Palavras-chave: Cavalo Marinho, Cultura Popular, Dança, Teatro. Este trabalho apresenta reflexões a respeito da dramaturgia da cena na brincadeira do Cavalo Marinho, mais especificamente do Brinquedo Estrela de Ouro da cidade de Condado (Zona da Mata de Pernambuco). Considerando o conceito de dramaturgia ligado ao corpo e não na sua acepção vinculada ao texto teatral escrito, trato dos nexos de sentido da brincadeira a partir de análises que apontam aspectos de sua oralidade e suas relações com as dinâmicas dos corpos e das cenas. As experiências como brincante, dançarina e pesquisadora constituem a trama, lugar de partida para esta narrativa teórica envolvendo culturas distintas e a possibilidade de algumas convergências entre elas. Situando-me no contexto da pesquisa em artes cênicas com interface na chamada cultura popular, e considerando esse campo em processo de construção, procuro problematizar o conceito de dramaturgia questionando sua adequação ou não ao tema do Cavalo Marinho. A cena da capoeira contemporânea Catalina Salazar Granados Desenhista publicitária / Docente de práticas corporais Universidade Veritas O interesse por investigar a Capoeira da atualidade nasceu por causa de uma somatória de questionamentos e necessidades surgidas como estudiosa das artes e aprendiz desta manifestação, a qual resulta sendo um fenômeno multidisciplinar em permanente estado de transformação e parte da cena artística contemporânea. Devido à carência de referências teóricas-práticas na Colômbia, considero necessário aprofundar nas bases que sustentam a Capoeira com o fim de dar substância a sua prática e ensino fora do Brasil. Tenho por objeto de estudo as ambivalências entre os modelos da Capoeira Contemporânea1 praticada em Salvador, Brasil e Bogotá, Colômbia, quanto aos fundamentos, método de ensino, formato de liderança, finalidade da prática e a sua inserção social e cultural. Na perspectiva de identificação dos processos de apropriação e re-significação adotados, será necessário descrever as diferenças e semelhanças detectadas entre os grupos selecionados em cada cidade. O meu objetivo é realizar uma análise comparativa na busca de alternativas e possíveis mecanismos, que fomentem o conhecimento e a interação cultural, a favor do melhoramento da qualidade do ensino e do incremento da participação social. É a Etnocenologia o eixo fundamental que guiará o meu projeto de pesquisa. Danças afro-brasileiras a partir de Mercedes Baptista: rompendo paradigmas hegemônicos Evandro dos Passos Xavier Universidade Estadual Paulista - "Júlio de Mesquita" - UNESP Pós Graduando em Estudos Africanos e Afro-brasileiros pela PUC/Minas / Mestrando em Artes Cênicas pela UNESP / Bolsista FORD Palavras Chaves: Desmistifica, Panorama, Concepções, práticas. O trabalho a ser apresentado tem como proposta mostrar um panorama da dança afro-brasileira e ou danças de matrizes africanas a partir da coreógrafa Mercedes Baptista, suas concepções e práticas em Belo Horizonte, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Salvador, desmistificando o valor apenas “folclorico e ou exótico”, ainda hoje, atribuído a essas atividades no cenário artístico/cultural e acadêmico brasileiro. Apresentando ainda práticas em projetos sociais, escolas de ensino médio e fundamental enquanto atividades que possibilitam implementação do ensino de História e Cultura Afro-brasileira a crianças, adolescentes e jovens em fase escolar, contribuindo na erradicação de práticas racistas e preconceituosas das manifestações de origens africanas. Cartografia do corpo brincante no Maracatu Rei de Paus do Ceará Jorge Luiz de Paula Pesquisador,Coreógrafo,Bailarino, e Professor de dança / Mestrando em Dança / Bolsista Capes UFBA / Programa de Pós-graduação em Dança Palavras-chaves: cartografia, maracatu, corpo brincante, cultura, dança O presente trabalho,discute questões referentes ao Maracatu do Ceará, que é um cortejo de rua que ocorre na capital cearense na época do carnaval desde meados do século XX, que é freqüentemente descrito como uma manifestação popular em homenagem aos reis negros africanos. Os brincantes são do sexo masculino e vestem-se de mulher usando também o chamado “falso negrume”, uma tintura preta especial que é aplicada sobre a pele, e apresentam-se ao som do “ritmo dolente” dos tambores.Pois o processo cartográfico no maracatu,envolve novos saberes com várias configurações no corpo brincante que dança. O teatro de bonecos em espetáculos populares de Pernambuco: uma análise do cavalo marinho e do mamulengo Karla Juliana Pinto da Silva UFPE Palavras-chave: teatro de bonecos, cavalo marinho, mamulengo, etnocenologia Apresentamos uma reflexão acerca do uso de bonecos em espetáculos populares de Pernambuco, através de uma abordagem geral dessa utilização em manifestações espetaculares organizadas pelo povo, tais como o Maracatu, realizando uma análise mais aprofundada dos folguedos do Cavalo Marinho e do Mamulengo. Através de revisão bibliográfica, observação e entrevistas semi-estruturadas com os brincantes de tais manifestações, fizemos uma breve abordagem histórica e conceitual desses gêneros espetaculares e dos folguedos, além de uma análise dos espetáculos dando um recorte, no caso do Cavalo Marinho, nos momentos da representação em que ocorre o uso de bonecos. A partir disso, discorremos numa reflexão sobre a natureza desses objetos, sua ligação com a representação, com o espaço e com o corpo dos brincantes, seu sistema de utilização e da dimensão funcional e simbólica desses artefatos. Para isso, utilizamos referenciais teóricos do campo do teatro, do folclore, do teatro de animação, da semiótica, do design e do saber popular numa abordagem etnocenológica do uso de bonecos nos espetáculos populares de Pernambuco a fim de contribuir para uma integração dos saberes em artes do espetáculo e para a produção artística contemporânea. Saberes ordinários e fulgurância artística: da estética no maracatu de baque solto Laure Garrabé Doutoranda Université Paris VIII – Laboratoire d’Ethnoscénologie (EA 1573) Palavras-chave: Estética ; antropologia estética; performatividade; maracatu; etnocenologia O Maracatu-de-Baque-Solto (MBS) é uma brincadeira da Zona da Mata Norte de PE. Ela pertence à dita cultura popular e é alçada no carnaval do Recife como exceção cultural do estado. Se hoje é apresentado apenas como “brinquedo carnavalesco”, representação altamente difundida pela mídia de massa e o poder acadêmico dos cientistas, a outra modalidade do MBS, as ditas “noites de sambada”, não esta mobilizada como objeto de saber. Nestas duas modalidades, carnaval e sambada, os modos de fazer e dizer o MBS são quase opostos: a primeira projeta-o no mundo e gera reconhecimento, mas formata-o conseqüentemente à adaptação cênica e às ditas do concurso carnavalesco; assim aparece submetido às políticas culturais sendo também as da espectacularidade. A segunda abre um espaço de liberdade para as expressividades necessárias a sua dinâmica, sob a lei da perfomatividade, mas num movimento de idealização dos saberes. Considerar uma delas sem a outra remeteria obviamente a reproduzir a bipolaridade na qual o MBS é geralmente construído. A análise dos usos do corpo nelas revela a complexidade das suas negociações de poder e saber. Pretende-se contribuir a especificação do instrumento metodológico “performatividade”, a partir do regime estético do MBS. Este último consegue mostrar como a relação produzida no campo da chamada estética, se confunde com a produção de política. Roda de capoeira: ritual e espetáculo Maíra Cesarino Soares Mestranda em Artes / Atriz e instrutora de capoeira UFMG Palavras-chave: capoeira, espetáculo e ritual Este estudo destaca a potência cênica da capoeira, apontando elementos ritualísticos e espetaculares dessa manifestação popular brasileira. A capoeira é uma prática cultural espetacular que reúne aspectos de luta, jogo, dança, ritual, espetáculo, música, esporte e brincadeira. O eixo de investigação utilizado por esta pesquisa é o da etnocenologia – campo de conhecimento com abordagem pluridisciplinar que associa profissionais, pesquisadores e praticantes de uma prática espetacular (BIÃO,1998). Parte-se dos conceitos de ritual e espetáculo estudados por Veiga (2008) e de três conceitos do âmbito epistemológico dos objetos propostos por Bião (2007): “Teatralidade”, “Espetacularidade” e “Estados de corpo”. A pesquisa defende a idéia de que a roda de capoeira é um ritual para seus praticantes e pode ser vista como um espetáculo, para quem a observa. Os próprios capoeiristas que compõem podem ser considerados público, que participa cantando e torcendo pelos jogadores. Quem está de fora, apenas assistindo à roda, também pode aproximar-se, juntar-se ao círculo e participar do coro ou até entrar na roda, atuar como público ou como ator. Outro elemento analisado será o “Estado de corpo” alterado dos participantes da roda. Os corpos dos capoeiristas, durante uma roda, se expressam de maneira diferente do modo como se comportam em suas atividades comuns do cotidiano. Poéticas marajoaras na cena parafolclórica Maria Ana Oliveira de Azevedo Mestre em Artes Cênicas, pela Universidade Federal da Bahia. / Professora da Escola de Teatro e Dança Universidade Federal do Pará. Palavras-chave: Dança, performance e cultura marajoara O trabalho em tela apresenta o fazer artístico dos grupos parafolclóricos, os quais organizam seus espetáculos para o público em geral, interpretando as músicas e as danças da cultura de uma comunidade. Desse ambiente espetacular, o texto pretende comunicar os saberes marajoaras, por meio da linguagem corporal e simbólica. Da composição cênica é analisada a tríade batucar-cantar-dançar, sob o enfoque dos estudos da Etnocenologia e da categoria competência dos estudos da Performance, a partir da análise da performance do Grupo de Tradições Marajoara Cruzeirinho, do município de Soure, na Ilha do Marajó. A abordagem está dividida em três subtítulos: Primeiro, “Batucar-cantar: a espetacularidade musical”, discorre sobre o conjunto musical, elucidando os principais instrumentos utilizados nas performances do grupo e, segue, com comentários sobre a letra das músicas. Segundo, “Dançar: a espetacularidade coreográfica” focaliza o aprendizado das danças, a competência dos dançarinos, os aspectos principais do gestual e da movimentação coreográfica na dança do Lundu Marajoara e na dança em Homenagem ao Vaqueiro do Marajó e, por fim, a análise da organização geral, na dinâmica da apresentação dos espetáculos do grupo. O corpo do intérprete-criador e a capoeira na criação cênica Maria Marcia Alves Sobral, UFMG Integra o Núcleo de Pesquisa da Capoeira Angola, Escola de Belas Artes – UFMG (Coord. Prof. Dr. Jalver Bethônico). Licenciada em Letras Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Alagoas. Diretora de projetos e produção editorial da Associação Cultural Antenart – Teatro (BH-MG). Palavras-chave: Intérprete-criador. Capoeira. Criação Cênica. Performatividade. Dança. Práticas espetaculares organizadas de caráter popular como a capoeira representam importante referencial nas artes cênicas. São observados os processos de criação em três espetáculos na dança brasileira contemporânea pelo viés do intérprete-criador, corpo que dança, co-criador na construção cênica, tomado como o ponto de organização das informações do seu próprio percurso histórico. Discorre-se sobre a dinâmica operativa de criação no limite capoeira | dança em grupos oriundos de São Paulo, Bahia e Piauí, que incorporaram a prática da capoeira aos fazeres. Busca-se expor os possíveis elos entre formas de composição cênica, preparação corporal e interação com a capoeira, visando compreender a relação entre intérprete-criador e experimentações corporais a partir do saber de corpo na capoeira e seus aspectos de performatividade, impulsionando novas formas de relacionamento entre pesquisa artística e acadêmica sobre processos corporais imbricados em tais encontros. Capoeira: O possível “Contato-improvisação” entre jogadores Mateus Schimith Batista Ator / Graduado em Licenciatura de Artes Cênicas Universidade Federal de Ouro Preto - MG Que a capoeira é uma manifestação cultural, religiosa, legitimamente brasileira, resultado de uma miscigenação, em constante mudança, já se sabe, mas até que ponto é possível modificar a aplicação da técnica, respeitando sua ritualidade e história? Uma vez confluída com outra técnica, de dança, importada, como o contato-improvisação (de Steve Paxton), cria-se um vocabulário único para a pesquisa e aprimoramento do corpo do ator, assemelhando-se em vários pontos, como o respeito à circularidade, a compreensão da base e o movimento a partir do ritmo musical; e se diferenciando como a relação com o toque entre os jogadores e a hierarquização do grupo. Sobre isso, discutiu-se, em dezembro de 2007, um trabalho de composição de partituras corporais, tendo como base, no resultado artístico da ocasião, a junção de elementos fundamentais da capoeira, com os do contato-improvisação. Este artigo propõe a descrição e análise da partitura corporal formada na cena a partir da união destes treinamentos, dentro da Universidade Federal de Ouro Preto, na ocasião. Além disso, pretende-se estudar a gestualidade desta manifestação cultural brasileira para a construção corpórea do ator. Água de beber camará: performance, criatividade e improvisação cultural na capoeira Patrícia Campos Luce Capoeirista há 6 anos pelo Grupo Bantus Capoeira de Belo Horizonte, MG. Especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. / Mestranda em Lazer Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG Palavras-chave: capoeira; drama; performance; ritual; teatro; criatividade; improvisação. Propõe-se, neste artigo, desenvolver uma reflexão teórica acerca da capoeira que dialoga com os estudos antropológicos das formas expressivas, focalizando, centralmente, a noção de performance, drama e ritual, sob a perspectiva de alguns dos autores considerados representantes desta discussão: Victor Turner, Clifford Geertz, Richard Schechner, John Dawsey, entre outros. Dentro desta perspectiva, aborda os pressupostos de criatividade e improvisação cultural levantados por Tim Ingold, Elizabeth Hallam, Karin Barber – entre outros. Reis coroados: quando “o encanto se quebra” e surge a brincadeira: um estudo da espetacularidade do reisado Discípulos de Mestre Pedro Rafael Rolim Farias Professor de Educação Musical, Brincante e Cordelista / Mestrando PPGAC/ UFBA Palavras-chave: Reisado de Congo, etnocenologia, espetacularidade, teatralidade A presente comunicação é fruto de nossa pesquisa de mestrado em andamento, que pretende desenvolver um estudo do Reisado de Congo Discípulos de Mestre Pedro, brinquedo popular típico da Região do Cariri cearense que é composto por quadros dramáticos, inspirados na temática dos Reis, e atua, há duas gerações, na cidade de Juazeiro do Norte/CE. Partindo dos conceitos de teatralidade e espetacularidade, ambos do âmbito epistemológico da etnocenologia, buscaremos contextualizar a trajetória do grupo e analisar o processo de construção de seus personagens e situações dramáticas, abordando a transmissão de saberes, a dimensão sagrada e mítica e a inserção do reisado na vida da comunidade local, trazendo e discutindo ritmos, letras e trupés da brincadeira. Neste percurso, deve-se ainda considerar a atuação do pesquisador como brincante do Reisado Discípulos de Mestre Pedro, o que lhe possibilita um olhar de dentro e a construção de uma abordagem interdisciplinar, que estabelece, entre o sujeito pesquisador e a pesquisa, uma relação de pertencimento. Capoeira angola e dança no século XXI - sobre pertencimento e atualidade Sandra Regina de Oliveira Santana UFBA Palavras-Chave: Capoeira Angola – Dança – Poética Há muito que a capoeira angola baiana nos interessa. A mesma tem se revelado rico referencial para incursões coreográficas e também no que diz respeito a conseqüentes métodos de treinamento em dança, ao tempo em que nos aponta elementos constitutivos de uma espécie de corporeidade psico-social particular historicamente configurada: multiartística, um corpo/sujeito que, sem sair da sua base, ginga, negocia; um sujeito do despojamento corporal, da desenvoltura gestual/sexual, da força, flexibilidade, leveza e prontidão concomitantes, e dotado de imensa capacidade de improvisação – de responder criativamente às situações dadas. Dando prosseguimento aos estudos iniciados em nosso Mestrado (PPGAC/Ufba – 2002, “Capoeira Angola e Técnicas da Dança – Análise de Movimento e Descrição de Princípios para o Treinamento de Dançarinos”), investigaremos, agora, métodos de treinamento/preparação técnica vinculados necessariamente ao processo de criação de coreografias assim como os seus produtos daí decorrentes. Para tal, estaremos implantando um Laboratório Multidisciplinar de Pesquisas e Criação em Dança de Capoeira, sobre o que pretendemos discorrer nesta comunicação. Corpos em performatividade: a visibilidade negra num movimento estético e sustentável Sara Passabon Amorim Mestre em Teatro / Professor(a) Universitária Centro Universitário São Camilo/ ES Palavras Chaves: performatividade, corpo negro, sustentabilidade e comunidade quilombola. “Corpos em performatividade”, visa apreciar o corpo negro em “atos” artísticos, que busca revelar uma expressão estética como referência para a construção da identidade étnico-racial e a organização de afro-descendentes na comunidade quilombola de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim – Espírito Santo. O estudo é centralizado na construção e elaboração das performances, através de elementos da tradição africana como o inseparável trio – “dançar-cantar-batucar" – que mantém também um movimento de sustentabilidade daquela comunidade. Numa estratégia interdisciplinar busca-se na Etnocenologia de Jean-Marie Pradier, e no conceito do ato performativo, estabelecidos entre Victor Turner e Richard Schechner, principalmente da definição de "restauração do comportamento” de Richard Schechner, ampliar o olhar de análise nas manifestações humanas extra-cotidianas espetacularmente organizadas. Diante da ideia de espectáculo/manifestação é compartilhado o conjunto de valores e hábitos, tanto sociais e comportamentais como estéticos num espaço comum de organização e expressão de culturas de resistências. GT Enredos e rodas Local: Espaço Vinho/ Prédio do Curso de Teatro/ EBA Coordenadoras: Eliene Benício Amâncio Costa (UFBA) e Isa Maria Faria Trigo (UNEB) Samba de roda de São Félix e Cachoeira: uma tradição da modernidade sob um ponto de vista etnocenológico Daniela Amoroso Integrante do Grupo Botequim de Samba/ Salvador / Doutoranda PPGAC/UFBA UFBA Palavras chave: samba-de-roda;etnocenologia;dança O presente trabalho trata do samba de roda de Cachoeira e São Félix a partir de um olhar etnocenològico. A contextualização do sujeito, a pesquisa de campo e a pràtica foram os elementos utilizados para construir esse ponto de vista. Entende-se que o samba de roda constitui uma das matrizes estéticas da dança e da mùsica brasileiras e que, compõe, o conjunto das 'tradições da modernidade' no Brasil. A noção de Diàspora contribui aqui para investigar experiências do samba de roda enquanto forma estética brasileira nascida na encruzilhada de memòrias e heranças africanas e portuguesas. Palhaçaria: dramaturgia da arte do palhaço Demian Moreira Reis Mestre e Doutorando em Artes Cênicas UFBA UFBA Palavras-chave: Palhaço, dramaturgia e espetáculo Nesta comunicação pretendo lançar uma definição de palhaçaria como a dramaturgia da arte do palhaço. Para isso desenvolvo uma definição do palhaço. Não tenho a pretensão de falar de nenhum palhaço em especial, caracterizar nenhum momento histórico em particular. Trata-se de uma iniciativa de estudar a arte dos palhaços a partir da descrição de seus dinamismos dramatúrgicos. Explicitar diferentes estratégias, princípios e dispositivos específicos da palhaçaria. Esta pesquisa de doutorado pode ser vista como um primeiro esforço de focar na palhaçaria, enfatizando o seu valor dramatúrgico. Não há por hora a pretensão em desenhar uma teoria da palhaçaria ou da técnica do palhaço porque acredito que este seria um eco do impulso colonizador que tenta reduzir os fenômenos a um “estado puro” ideal. Prefiro acreditar na complexidade e diversidade cultural da palhaçaria. Mas eu me permito formular discussões teóricas e propor ferramentas conceituais úteis para pensar a palhaçaria e incentivar novos pensamentos e enriquecer um debate que acumula cada vez mais incertezas. A dramaturgia do circo-teatro encenada em São Paulo entre 1927 e 1968 Eliene Benício Amâncio Costa Professora / Doutora Universidade Federal da Bahia Palavras-chave: Circo-teatro, dramaturgia, encenação A pesquisa da dramaturgia do circo-teatro encenada em São Paulo, entre 1927 e 1968, está sendo possível após o levantamento realizado por mim no Arquivo Miroel Silveira, na Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes de São Paulo. Neste arquivo estão devidamente catalogadas 1088 peças de circo-teatro, as quais fazem parte dos 6.500 processos de censura prévia ao teatro, documentação resgastada pelo professor Miroel Silveira em 1988, da Divisão de Diversões Públicas do Estado de São Paulo. Nesta pesquisa o meu interesse é fazer uma amostragem dessas peças, levando em consideração os autores e peças mais encenadas, assim como a diversidade dos gêneros (comédias, dramas, melodramas, farsas, burletas, esquetes etc.). Esta fase da pesquisa faz parte do meu projeto de pós-doutorado “O trânsito entre o Circo e o Teatro: a construção da dramaturgia do circo-teatro brasileiro”, que está sendo realizado por mim na UNESP, São Paulo, sob a supervisão do Prof.Dr. Mário Bolognesi. Enigmas da santidade: uma leitura antropológica da dramaturgia de Qorpo-santo Eva Beatriz Holland Mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – PPGAS Universidade Federal do Paraná – UFPR A proposta deste trabalho é estabelecer as relações existentes entre a narrativa da dramaturgia do escritor gaúcho Qorpo-Santo (1829-1883) e o chamado “Teatro do Absurdo”, que teve sua expressão na França a partir da metade do século XX. Apresento as dificuldades que encontro ao fazer uso da dramaturgia para analisar uma proposta cênica para o século XIX, na qual pedofilia, homossexualismo e poligamia, baseadas em relações de parentesco reais e ficcionais, seriam expostos no palco sob o formato de personagens que se transformam ou desaparecem em um enredo ao mesmo tempo confuso e inovador. Passo a considerar o processo narrativo que se manifesta através da performance da linguagem, e que se constitui num campo propício para a interpretação da obra através das noções de drama social e processo ritual, conforme Victor Turner. Entendendo a monomania como um “comportamento espetacular” e analisando a noção de corpo presente em Qorpo-Santo, busco na Etnocenologia elementos que me auxiliem a decifrar os enigmas da santidade contidos nestes textos teatrais. O sobrado: o comportamento espetacular do gaúcho transposto para a cena Inês Alcaraz Marocco Professor de Direção Teatral e Diretora Teatral / Doutorado Departamento de Arte Dramática/Instituto de Artes/UFRGS Palavras-chave: Cultura gaúcha, Criação artística, Etnocenologia A literatura é uma fonte inesgotável em material histórico e antropológico que nos permite estudar na essência uma determinada cultura.Erico Veríssimo, na sua obra O Tempo e O Vento, retrata a história do Rio Grande do Sul através da saga de duas famílias os Terra e os Cambará.Através da descrição das situações e dos personagens visualizamos alguns princípios que caracterizam o comportamento do homem gaúcho.Percebemos também que o contato com a natureza e a constante situação de guerras moldou o comportamento dos homens e mulheres desta terra,diferenciando-os das demais regiões do país. Através da pesquisa realizada no meu doutorado, na perspectiva da Etnocenologia, sobre a questão do espetacular na cultura gaúcha, percebi que alguns comportamentos do homem campeiro eram recorrentes independentemente do contexto em que se encontrasse de trabalho, lazer ou de rotina. E que alguns desses princípios desses mesmos comportamentos são contemplados no romance, descritos por Erico Verissimo. Na criação artística sobre um fragmento da obra de Erico Veríssimo, intitulado O Sobrado, buscamos resgatar o comportamento espetacular do homem gaúcho através de um trabalho prático enfocado na Máscara Neutra e nos elementos da natureza, segundo o sistema pedagógico de Jacques Lecoq. O que não se aprende no colégio: samba de roda e sua transmissão Isa Maria Faria Trigo Professora Doutora Titular / Professora Universitário/Diretora teatral UNEB - UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA Aquilo a que nos acostumamos a pensar como Artes Cênicas nos legou um modelo consagrado de especialidades técnicas que produzem beleza reconhecível. Mas há, nos modos de fazer costumeiros, (modos de fazer organizados como técnicas, mas não necessariamente considerados técnicas para produzir beleza), possibilidades outras. Possibilidades essas de criação e de relação simbólica que só se podem revelar no instante efêmero das ações compartilhadas, nas quais a beleza como ideal estético pode ou não ser um motivador, um indutor, ou mesmo uma porção residual. Não obstante, nelas se forjam conteúdos simbólicos de extrema potência, sejam agregadores ou desagregadores, cuja beleza está na força transformadora inapelável, quer esta opere de forma arrasadora, quer de forma constante e imperceptível nas dobras do cotidiano. Neste contexto, busca-se refletir sobre as práticas cotidianas de transmissão de conhecimento do samba de roda do Recôncavo, a partir de material filmográfico e de entrevista realizados com seus criadores. Édipo na TV: Guarnieri e as possibilidades de um teatro impossível Jerônimo Vieira de Lima Silva Professor de Artes Cênicas / Msc. Literatura e Cultura UFPB Palavras-chave: Dramaturgia; teledramaturgia; cinema Este artigo pretende apontar, através da versão da tragédia Édipo-Rei de Sófocles, feita por Gianfrancesco Guarnieri e Fernando Peixoto para a TV, aspectos políticos e sociais presentes tanto no texto clássico sofocliano quanto no teledrama dos dramaturgos brasileiros, uma vez que, em ambas, tais aspectos são fundamentais para o pleno entendimento da estrutura textual de cada uma das referidas obras. Não por acaso, o mito edipiano, transformado em texto trágico em pleno apogeu da sociedade grega (Sec.V a.C), a qual foi considerada a “tragédia perfeita” por Aristóteles, põe em discussão aspectos relevantes de conduta daquele novo homem helênico. Por outro lado, redimensionando o mesmo mito e dando-lhe uma nova roupagem, encontra-se o Édipo brasileiro, inserido no contexto político-social referente ao nordeste do país. Deste modo, Guarnieri e Peixoto possibilitam um olhar agudo à problemática sertaneja quando a mesma era considerada tabu para o regime político e ideológico do período, a saber, os anos de 1970, quando o Brasil estava sob o domínio do poder militar. Transposição da linguagem coreográfica dos salões para os palcos Jomar Mesquita Professor/Coreógrafo /Graduado Associação Cultural Mimulus Palavras-chave: dança de salão, dança cênica, dança contemporânea As danças de salão passaram por um processo de profissionalização com inúmeras transformações nas últimas décadas. A partir do momento em que os bailes populares passaram a ser frequentados pela classe média, a maneira como os originais dançarinos ensinavam e exibiam sua arte nos salões, começou a sofrer várias modificações. Inicia-se: o surgimento de escolas com um ensino sistematizado; diversas mudanças nos bailes e seus rituais; a busca por inovações e por um caminho para efetuar a transposição da linguagem coreográfica dos salões para os palcos como fazer artístico; a contaminação sofrida por influência de outras modalidades de dança. Hoje vivemos o momento em que se forma e se consolida o que alguns críticos de dança passaram a denominar “dança de salão contemporânea”. Muitos erros são cometidos nesta transposição do salão ao palco, nesta transformação do que era entretenimento e lazer popular para um espetáculo de dança de cunho artístico. Mas ao mesmo tempo, obras inovadoras e de qualidade inquestionável são convidadas a serem apresentadas nos mais importantes festivais de dança contemporânea ao redor do mundo, com grande sucesso de público e crítica, tirando o estigma de amadorismo e cafonice que o estilo carregava. Ocorrem perdas na cultura popular dos salões, simultaneamente a um crescimento artístico de suas manifestações cênicas. A construção de um texto cênico a partir da narrativa visual de Frida Kahlo Lilih Curi Mestranda do PPGAC/UFBA, atriz e performer UFBA Palavras-chave: imagem, construção narrativa, narrativa visual, performance, performer, ator-criador O texto cênico em questão configura-se uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Cláudio Cajaíba Soares, que consiste num estudo das relações entre seus elementos constituintes – imagem, construção narrativa e performance. O estudo parte do espetáculo multimídia “Yo soy o que a água me deu Frida”, do Teatro das Epifanias (SP). A obra constrói uma narrativa por meio de imagens e textos não-dramáticos criando relações entre Imagem e Performer, Imagem e Encenação, Imagem e Público. A relação Imagem e Performer é tratada neste Colóquio: as imagens da obra pictórica da mexicana Frida Kahlo são matéria prima do performer, o lugar onde ele bebe, se alimenta, e a partir das quais ele cria. Fala-se do corpo deste artista como mídia primária, e discorre-se sobre os aspectos narrativos-expressivos deste artista contemporâneo considerando sua historicidade, treinamento, experiência técnica e artística: o corpo que fala, o corpo que narra. Por fim, discute-se o que o performer produz cenicamente como construção narrativa na relação entre a poética (de Frida), o corpo e o corpo-espaço-tempo: toma-se o performer como artista-criador, e mais especificamente como autor. Multiplicidade de vozes e discursos na obra Pinocchio do Giramundo Teatro de Bonecos Luciano Flávio de Oliveira Mestrando em Teatro pela UDESC; Especialista em História da Cultura e da Arte pela UFMG (2007) e Bacharel em Direção Teatral - UFOP UDESC Palavras-chave: Giramundo Teatro de Bonecos – Pinocchio – multiplicidade de vozes e discursos. Objetiva-se levantar e analisar as múltiplas vozes presentes no espetáculo teatral Pinocchio, do grupo belohorizontino Giramundo Teatro de Bonecos. Para tanto, observa-se como se dão as relações entre as diferentes instâncias discursivas quando se utilizam, neste espetáculo, diferentes técnicas de construção e manipulação de bonecos. Partindo da premissa que a linguagem teatral em si é polifônica, inter e transdisciplinar, o teatro de animação também é. Desta forma, Pinocchio é repleto de vozes que dialogam entre si – recorre-se, por exemplo, a linguagens artísticas como o vídeo e o cinema de animação – sendo, portanto, polifônico. Por fim, o presente artigo tem como premissa indicar em quais pontos essa polifonia aparece de forma mais explícita e subjetiva, partindo da teoria bakhtiniana dos gêneros discursivos. 24 de Julio 1967: A reconstituição imaginaria de uma performance Marios Chatziprokopiou Doctorant en Ethnoscénologie (Université Paris8), vidéaste. Paris VIII Palavras-chave: Performance, evento, memoria, reconstituição, imaginario, antropologia, documental. France, été 1967. Dans un terrain vague près de Saint-Tropez, une troupe dirigée par l’artiste Jean-Jacques Lebel présente la pièce surréaliste de Pablo Picasso Le désir attrapé par la queue. Après chaque représentation, le groupe psychédélique des Soft Machine monte sur scène. Artistes et public sont invités à participer à des happenings. Les participants de cet événement d’art éphémère déclarent qu’ils n’ont volontairement pas laissé de traces. Il n’en reste que peu d’indices matériels, et les souvenirs des témoins vivants : des morceaux déformés, incompatibles, d’un puzzle perdu pour toujours. L’anthropologue, dont le savoir repose sur sa présence sur le terrain, peut-il comprendre une performance qu’il n’a pas vécue? Ce manque m’a demandé une quête heuristique, semblable à celle des archéologues, mais en renonçant à la vérité historique. Incapable d’interpréter a priori, j’ai tenté la reconstitution imaginaire d’une soirée de l’été 1967, sous forme d’un récit anthropologique et d’un court métrage documentaire. Vu la distance qui sépare toujours le moment de l’expérience de celui de l’écriture ou du montage, les reconstitutions écrites ou visuelles des performances qu’on vit sont-elles moins imaginaires ? Et quelles sont les limites des mots et des images quand l’objet d’étude est la vie ? ABC de João Augusto, a interpretação dos atores do teatro de cordel produzido em Salvador, Bahia entre 1966 e 1978 Marconi de Oliveira Araponga Mestrando UFBA Palavras-chave: Interpretação teatral, teatro de cordel, treinamento do ator A pesquisa ABC de João Augusto, a interpretação dos atores do teatro de cordel produzido em Salvador, Bahia entre 1966 e 1978. Por Marconi Araponga, mestrando do PPGAC/UFBA, ator, professor, diretor e produtor de espetáculos. No período descrito no título, João Augusto (diretor, ator e professor da Escola de Teatro da UFBA), produziu oito espetáculos adaptados de folhetos da literatura de cordel, recorte da nossa pesquisa. Esta forma teatral até então pouco usual em Salvador, tornou-se constante nos palcos soteropolitanos e encontra a atuação dos atores, nosso objeto de estudo, amplamente baseada nos tipos populares nordestinos. A nossa proposta está ancorada em entrevistas com os intérpretes mais recorrentes dos espetáculos, nas quais se buscarão apurar o treinamento para a cena quanto ao corpo, à voz, à improvisação e ao ritmo. Este exame sobre a arte da representação no teatro de cordel busca ir fundo nesses aspectos e em outros que se mostrem importantes e que venham interferir no trabalho do ator, este que é a peça mais importante da forma teatral plantada em nossa cultura cênica desde a década de 1960 e que se mantém vigorosamente na vida cultural da capital baiana em pleno século XXI. A condição do corpo no cruzamento das manifestações circenses e teatrais Marcos Francisco Nery Ferreira UNESP Mestrando em Artes Cênicas, UNESP, ator e acrobata Palavras-chave: Ator, Circo, Técnicas corporais No final do século XIX, no Brasil, a chamada tradição apostava no intercâmbio e no convívio entre artistas e gêneros, que logo resultaram em grandes transformações do espetáculo e a consolidação da aproximação entre o palco teatral e o picadeiro circense. Os artistas circenses foram ampliando o leque de apropriação e divulgação dos gêneros teatrais e de outras manifestações artísticas inaugurando a idéia dos circos-teatros. Por outro lado, o universo das manifestações, teatrais, a necessidade de um ator com virtuose técnica, sentido absoluto de ritmo, agilidade corporal e precisão ganha força e se faz presente desde os saltimbancos dos teatros de feira e dos cômicos dell’arte, tornando-se, também, um ponto indispensável nos trabalhos de alguns encenadores do século XX. Diversos são os caminhos, contudo, que podem ser adotados quando se menciona os procedimentos criativos e técnicos do ator. Como aponta Mauro Meiches e Sílvia Fernandes: “Nenhuma criação pode ser operada sem uma técnica, que não se separa do treino, do processo de criação e do resultado observável na carreira teatral de um artista”. É justamente nesta condição que se dá a passagem de um corpo “comum” para um corpo “diferenciado” via um treinamento específico. Os saberes circenses, portanto, são apropriados pelo ator e se constitui como técnica corporal aprimorando sua capacidade expressiva. A partir deste universo, o artigo pretende apontar os aspectos relativos ao treinamento corporal através dos saberes circenses e teatrais. Quem conta um conto, (re)inventa um tempo Luiz Carlos Costa Sarto Graduando em Artes Cênicas / Bacharelado Universidade Federal de Ouro Preto Diretor/Ator Ricardo Carvalho de Figueiredo Mestre Universidade Federal de Minas Gerais Professor/Diretor A presente pesquisa – oriunda do Projeto de Extensão Universitária “Teatro e Memória na 3ª Idade” desenvolvida na Universidade Federal de Ouro Preto durante o ano de 2009 – investiga o conceito de memória/esquecimento em relação à formação cultural do sujeito. Temos utilizado como procedimento de trabalho o “depoimento pessoal” em oficinas que focam a acumulação de um “capital cultural” e toda sua influência na constituição do comportamento humano e suas apropriações do espaço. O estudo encontra-se em processo e em constante transformação, dada a natureza das experiências individuais e experimentações coletivas do projeto, que resultam numa lúdica teatralidade das vivências e memórias dos participantes. A interpretação cômica da Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes Roberta Cristina Ninin Atriz / arte-educadora / mestranda Instituição: UNESP Palavras-chave: comédia brasileira, preparação do ator, personagem cômica A Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes, idealizada por Ednaldo Freire e Luis Alberto de Abreu, busca por uma linguagem comunicativa, que contemple o universo cômico popular brasileiro. Contemplada por projetos artístico-culturais desde a sua formação em 1993, a Cia tornou-se uma referência do teatro brasileiro contemporâneo, tendo em vista – principalmente a partir de sua segunda fase do Projeto Comédia Popular Brasileira, intitulada Comédia Épica - a participação ativa do público perante o fenômeno teatral. A Cia referencia-se nos estudos de Mikhail Bakhtin, nas obras de Rabelais, aproximando-se das formas populares de representação presentes: nas danças populares brasileiras, nos autos e nas narrativas cômicas, no circo-teatro e no teatro de revista. Em sua trajetória, o personagem brasileiro foi representado por tipos fixos, por heróis guerreiros (inspirados em personagens das festas populares medievais) e, recentemente, por atores saltimbancos que se apresentam com seus elementos de cena essenciais e, empregando a narrativa, se multiplicam em inúmeros personagens. A partir das referências teóricas abordadas - Mikhail Bakhtin, Vladimir Propp, Dario Fo, Brecht - e privilegiando a abordagem cômica das três fases da Fraternal Cia, minha pesquisa refere-se ao estudo da interpretação cômica e popular concretizada simbolicamente na concepção das personagens da Fraternal Cia de Arte e Malas-Artes. Jogando no Quintal: investigações acerca do improviso e do cômico Thaís Carvalho Hércules Mestranda / atriz / arte-educadora IA-UNESP Palavras-chave: Improvisação, palhaço, jogo teatral, comicidade O grupo paulistano Jogando no Quintal articula em seu trabalho a linguagem do palhaço e a improvisação como condição para realização do espetáculo. Dois times de palhaços disputam jogos diversos no “espetáculo-partida”. Cabe a plateia sugerir temas que servirão como mote para as improvisações e decidir ao final qual time desenvolveu melhor o jogo. Esta proposta, oriunda das experiências dos matchs de improvisação, conhecidas amplamente na Europa e na América Latina, tem crescido na última década no Brasil. No caso particular do Jogando no Quintal, o espetáculo lança questões a serem investigadas no âmbito acadêmico e para a cena contemporânea tais como: de que maneira se dá a articulação da linguagem do palhaço e a improvisação, a relação entre comicidade e improvisação, a explicitação do uso de jogos teatrais em cena, a participação do espectador na construção do espetáculo, o esporte (futebol) como um elemento estético. Como resposta a estas questões têm sido realizadas entrevistas com os atores e o acompanhamento de ensaios e apresentações. A pesquisa adota como referências teóricas os trabalhos de Keith Johnstone sobre improvisação, as obras de Richard Courtney, Viola Spolin, Ingrid Dourmien Koudela sobre o jogo, John Wright que aborda a questão do ator-improvisador e Jacques Lecoq que é uma referência na formação dos palhaços do Jogando no Quintal. GT Orientes Local: Espaço Preto/ Prédio do Curso de Teatro/ EBA Coordenadores: Tatiana Motta Lima (UNIRIO) e Ricardo Gomes (UFOP) O que fazer com o legado de Klauss Vianna, o homem que deu voz ao corpo do ator brasileiro Alexandre Lambert Artista cênico e visual / Ator e cenógrafo / Mestrando Programa de Pós- Graduação em Artes Cênicas do Centro de Letras e Artes da UNIRIO. A partir de “O que é um autor” de Michel Foucault fiquei me perguntando: O que seria um ator? Existem diferentes tipos de ator? Que diferenças são essas? Quais as suas razões? O que é um ator teatral? Quais são seus verdadeiros instrumentos de trabalho? Que função é essa? Que pulsão é essa que leva esse artista a essa relação de poder (Nietzsche) com o seu público? Que relação é essa? Como terá acontecido o primeiro momento teatral no rito dionisíaco? Começou aí o teatro? E o que é teatro? É uma profanação? É uma espécie de jogo? Qual a relação do sagrado com o teatro? O teatro é, basicamente, feito de palavras e ações. E aí, como é que fica o mito e o rito? Talvez no teatro o ludus e o jocus tenham se mantido em equilíbrio, assim o teatro seria um jogo diferente, “metade da operação sagrada” seria realizada, mas não por quebrar a “unidade consubstancial entre o mito e o rito”, mas sim por diluí-la. Seria então o teatro uma diluição do sagrado? Na história do teatro ocidental a relação meio sagrada do ator teatral com o seu corpo, com a sua a voz, com o tempo e com o espaço na busca da melhor expressão artística, tem uns 100 anos. No Brasil começou na década de 60, com um artista ímpar, com Klauss Vianna. Suzuki e Vassiliev: corpos da voz Alexandre Pieroni Calado Doutorando em Artes / Criador e pesquisador teatral CAC- ECA / USP Palavras-chave: Formação de actores, jogo vocal, Tadashi Suzuki, Anatoli Vassiliev O presente artigo insere-se no âmbito de uma investigação pessoal sobre aproximações contemporâneas ao trabalho vocal do actor, em contextos alternativos ao norte-americano e europeu. Ele procura identificar alguns elementos das pesquisas teatrais desenvolvidas por dois pedagogos e encenadores contemporâneos, Tadashi Suzuki e Anatoli Vassiliev, um movimento pertinente se se considerar a particular atenção que estes criadores têm consagrado à dimensão vocal do jogo do actor. Começo por abordar a metodologia desenvolvida por Suzuki para o treino de actores, a qual está alicerçada esta numa codificada disciplina corporal que visa o apuramento do controlo físico e vocal. Em seguida atravesso o percurso de Vassiliev, analisando o seu conceito de sistema lúdico e como este o levou a considerar de suma importância a noção de acção verbal. Ambos homens de teatro, Suzuki e Vassiliev têm procurado, cada um à sua maneira, resgatar um elo com as respectivas tradições teatrais e, ao mesmo tempo que dão as suas respostas às necessidades especificas do tempo presente, imprimem um renovado sopro à arte do teatro. De sujeito para sujeito; Um olhar fundamentado na etnocenologia e na antropologia teatral sobre a práxis artística do artista cênico Augusto Omolu Antonio Marcos Ferreira Junior Mestrando / Especialista em interpretação teatral (depto. de artes cênicas) especialista em filosofia política (depto. De filosofia). Programa de Pós-graduação em Artes Universidade Federal de Uberlândia Palavras-chave: sujeito; antroologia teatral; etnocenologia;práxis artística Investigação, como aponta Armindo Bião, da indissociabilidade dos estados do corpo e dos estados de consciência do ator-bailarino Augusto omolu em relação à sua forma de atuação como artista do odin teatret, como mestre da Ista no papel de representante da dança dos orixás, como disseminador desta dança na europa e enquanto um ator cultural gestor e mantenedor de um projeto cultural . Esta pesquisa pretende contribuir com as Artes Cênicas e com as pesquisas ligadas direta ou indiretamente à Antropologia Teatral e à Etnocenologia, no sentido de apontar aspectos do desenvolvimento artístico e psicofísico-social de atores/bailarinos brasileiros com raízes, arraigadas, na miscigenação Brasil/África, como é o caso de Augusto e o meu próprio. Tal desenvolvimento refere-se às formas de preparação sócio-artística além do gesto e do movimento de representação cênica que individualizam o artista formado em uma cultura francamente trasculturalizada como a do Brasil. Considero pertinente, também, apontar que Augusto desenvolve projetos culturais de dança e outras artes para crianças e jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social no bairro Sete portas que fica na periferia de salvador no centro cultural Iaô Ilê Augusto Omolu. A corporeidade no barroco mineiro, pesquisas e análises Carolina Romano de Andrade Mestre em Artes-Universidade Estadual de Campinas / Prof.Coord. Pós Graduação Dança Eduacação Faculdades Integradas de BauruProfessora de Artes Cênicas da Universidade Sagrado Coração-USC Palavras-chave: François Delsarte, Barroco Mineiro, Corporeidade A presente pesquisa baseou-se no legado de François Delsarte, para estudar analiticamente e procurar entender a dramaticidade e expressividade do gestual humano nas pinturas barrocas de igrejas de Ouro Preto-MG. Analisamos o forro da Igreja Nossa Senhora da Conceição, pintado por Lourenço Petriza(1833). Para a análise proposta utilizamos as leis que regem o uso do corpo humano, como meio de expressão, legadas por François Delsarte, a fim de compreender e trazer para o corpo a carga emocional presente nas obras. Ademais, elaboramos uma composição cênica que procurou sintetizar corporalmente a poesia visual que vivemos nesta pesquisa, que examinou e agregou elementos pictóricos, pesquisa de campo e a subjetividade artística como inspiração fundamental. Os caminhos utilizados no processo criativo se deram pelas relações entre a pesquisa teórica e a pesquisa artística, esta última embasada nas vivências do campo e na pesquisa de movimento. A espetacularidade da fala como performance Celina Nunes de Alcântara Professora Adjunta da Gradução em Teatro UERGS/FUNDARTE / Doutoranda em Educação na UFRGS. Membro do GETEPE-Grupo de estudos em educação, teatro e performance / Atriz do Núcleo de Investigação Usina do Trabalho do Ator UFRGS Palavras-chaves: corpo, voz, performance, fala Este trabalho procura refletir sobre uma proposição de trabalho vocal que intenta uma relação direta entre produção vocal e corporal, ou seja, corpo e voz trabalhados de forma indissociada na construção de uma performance vocal. Para tanto, a temática foi pensada a luz das proposições pedagógicos/vocais da autora na sua prática como atriz/docente, permeada pelo conceito de performance, relacionado à oralidade e a fala, na perspectiva de Paul Zumthor, Esther Langdon e Marlene Fortuna. Assim, o percurso desta reflexão foi, ao mesmo tempo, a tentativa de levantar questões a cerca de uma experiência de trabalho corpóreo/vocal que se propõe a investigar esses dois elementos de forma interdependente, de modo que um possa potencializar o outro, bem como, tecer uma articulação com as formulações, ideias e usos possíveis dessa abordagem . Voz e palavra: relações na prática cênica Dalva Maria Alves Godoy Doutora em Lingüística / Proessora no Curso de Graduação em Teatro UDESC Palavras-chave: voz, palavra, ator Ao refletir sobre o uso da palavra pelo ator este trabalho busca localizar as relações que se derivam da prática cênica e a constituição da consciência, dos saberes e da cultura. Sob o foco dos estudos etnolinguísticos o jogo dialógico entre ator e público é o elo de uma cadeia de sentidos construído a partir do “dizer” da palavra, que apreendida pelo outro, de forma ativa e criativa, dá prosseguimento ao ato criador e multiplica o já-dito. Esse elo, que só poderá ser compreendido dentro dessa cadeia, se constitui em um tema próprio que se realiza a cada enunciado através da entonação expressiva, pois sem o valor apreciativo não há palavra. Assim, a voz do corpo é signo - enquanto reflexo da realidade, da consciência do homem que se constituiu por meio da linguagem, e a entonação expressiva, realidade refletida na consciência do sujeito, se configura no corpo da voz como instrumento de mediação que transporta as vibrações sociais e afetivas que envolvem os participantes nesse jogo dialógico em um dado momento histórico e social. Nesse sentido, a palavra pronunciada pelo ator não pode estar dissociada da fonte que a gerou, dado que a consciência humana, no dizer de Bakhtin, reflete de forma ativa a realidade e esse refletir passa pelo sujeito. Comportamento restaurado e o treinamento da improvisação Isaque Ribeiro ; Mariana de Lima Muniz Mestrando, EBA UFMG, Ator ; Doutora, EBA UFMG, Docente UFMG Palavras-chave: estudos da performance; comportamento restaurado; improvisação. Este artigo propõe a identificação de características performáticas nos processo de treinamento do ator/improvisador para construção de espetáculos de improvisação. O levantamento destas características parte do conceito de “restauração de comportamento”, descrito por Richard Schechner como processo chave de todo tipo de performance. Comportamentos restaurados são comportamentos duplamente exercidos, ou seja, ações performadas desempenhadas através da repetição e do ensaio. A metodologia de treinamento do ator/improvisador, proposta por Keith Johnstone, baseia-se no desenvolvimento de ferramentas de desbloqueio da imaginação e da criatividade. A maioria dos exercícios propostos para este desbloqueio objetiva reduzir o tempo entre a recepção do estímulo e a reação do ator, valorizando a livre-associação e as primeiras idéias. Com esta perspectiva, é possível observar, nas ações do ator/improvisador, comportamentos duplamente exercidos. Propomos que, na realização das ações improvisadas, evidenciam-se comportamentos restaurados, conscientes e inconscientes, que direcionam o exercício ou a cena, evidenciando uma memória individual e coletiva. O presente artigo propõe um olhar sobre a metodologia de treinamento da improvisação, acercando-o à performance e analisando a ação improvisada dentro da proposta de Schechner. O coro no Teatro Oficina Uzyna Uzona Joana Limongi Faculdade de Artes Dulcina de Moraes Palavras chave: teatro, coro, ritornelo, teatro de estádio, estética O coro no Teatro Oficina Uzyna Uzona. Joana Limongi, Mestre em Artes pela UnB. Pintora e professora de Estética da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. A leitura oswaldiana do teatro, a presença do coro e a concepção de Te-ato são fundamentos na estética do Teatro Oficina Uzyna Uzona (SP), dirigido por José Celso Martinez Corrêa (Zé Celso). No artigo buscaremos compreender principalmente o que significa a presença do coro na construção do espetáculo cênico no Teatro Oficina. O coro, que é pura voz, musicalidade e dança de corpos em união, no Teatro Oficina pode também ser percebido conceitualmente como ritornelo, conceito elaborado por Deleuze e Guattari, ou seja, como marcação de território, o que faz sentido neste Teatro que de fato vive uma verdadeira luta por seu território desde 1981. O objetivo é perceber como as diversas canções que conduzem o espetáculo, no caso na montagem de Os Sertões, são mantras (cantos que se repetem) que possuem em si o poder de marcar território, assim como os pássaros o fazem com seu canto. A montagem de Os Sertões, Campanha de Canudos (2002-2007), obra de Euclides da Cunha, adaptada e dirigida por Zé Celso, recria um teatro ritual aonde o coro conduz a ação pela palavra e pela música. Zé Celso considera sua montagem como uma Ópera de Carnaval. No Teatro Oficina a dança coral é criada sobre as frases poéticas, sobre o coro das palavras cantadas da festa ditirâmbica, onde “o homem desaprende a andar e passa a dançar”, como expressa Nietzsche. O corpo lembrante na cena de Tadeusz Kantor Jolanta Rekawek Professora adjunta / coordenadora de Núcleo de Estudos da Espetacularidade (NESP) / docente no Mestrado em Desenho, Cultura e Interatividade (UEFS), membro do GIPE-CIT/ UFBA UEFS Palavras-chave: corpo, memória, Tadeusz Kantor Tadeusz Kantor (1915 – 1990), diretor de teatro polonês, é um dos mais destacados artistas da vanguarda do século XX, conhecido mundialmente a través do Teatro da Morte onde abole o poder da razão e instaura o poder da memória com o seu modus operandi subjetivado e incompleto. Dentro do processo acionado pela lembrança Kantor elimina os atributos do teatro convencional e configura o corpo lembrante que opera numa realidade precária que está ao nosso alcance. Partindo da visão etnocenológica do corpo pretendemos contemplar o teatro de Kantor como exemplo de uma forma espetacular não-convencional que poderia contracenar com outras práticas não-ocidentais abordadas habitualmente por esta perspectiva científica. A poética do corpo mágico: articulação da experiência pessoal do ator/pesquisador para criação de uma poética corpórea Leonel Henckes Mestrando / ator e diretor teatral PPGAC/UFBA Palavras-chave: corpo mágico, processo criativo, treinamento de ator, corporeidade A poética do corpo mágico como metáfora de uma presença consciente nos processos de criação e expressão, conduz à um olhar sobre a corporeidade presente na cena contemporânea do ponto de vista de um ator em processo. O objetivo deste trabalho é realizar uma pesquisa empírica – sistematização de treinamento e criação de um espetáculo-solo – acerca do processo criativo do ator tendo como matriz geradora de uma poética corpórea a articulação da experiência pessoal do ator/pesquisador. A problemática da corporeidade inserida nas artes cênicas como mídia primária nos processos de criação e expressão conduz à idéia de dramaturgia do corpo no teatro contemporâneo e reivindica uma discussão teórico-prática acerca dos processos de criação corpórea e codificação de narrativas. A hipótese levantada diz respeito a corporeidade associada ao movimento como premissa fundamental no processo criativo do ator. Entende-se que o movimento compreende uma dinâmica de impulsos e variações de energia que percorrem o corpo mágico em um fluxo de transformações que já tem uma potencia de sentidos capaz de encaminhar ou revelar um “texto” possível. Assim, pressupõe-se que por meio de uma poética corpórea criada a partir da articulação da experiencia pessoal do ator/pesquisador é possível acessar uma lógica teatral qualquer. A comunhão do espectador como ponto ritualístico na cena Marcelo Eduardo Rocco de Gasperi Diretor Teatral / Professor de Artes UFMG Palavras-chave: teatro – rito – comunhão O principal objetivo do presente artigo é analisar o teatro como fonte de elemento vivo proposto por Artaud, na profusão de signos que transcendam as palavras, cujo significado autêntico vem da condição humana ritualística, mágica, que arrebata e causa surpresa aos participantes deste evento: “A linguagem das palavras devem dar lugar à linguagem dos signos” 1 (ARTAUD, 1999, p. 126), na profusão de signos que não pretendem repetir o mesmo gesto, restituindo conflitos adormecidos e inaugurando revelações implícitas em cada participante da ação. Viso a um engajamento entre o teatro artaudiano elaborado como uma linguagem própria para reproduzir as diversas manifestações do encontro com o espectador e o núcleo de pesquisa independente Obscena, do qual faço parte. Criado em fevereiro de 2007 por estudantes de graduação e pós-graduação de artes cênicas da UFOP e UFMG, o agrupamento investiga, através de materiais teórico-práticos, a cena teatral na busca de novos territórios de relações entre o teatro e o espectador na busca de procedimentos de contaminação com os participantes, na tentativa de provocar alterações no cotidiano das ruas de Belo Horizonte. Objetivando investigar o lócus ritualístico do encontro artaudiano e a participação do espectador transeunte como um colaborador do processo de criação cênica, através da interrupção de sua trajetória cotidiana, são pontos que me motivam a participar desta comunicação. Perspectivas do corpo no espetáculo Shi-Zen, 7 Cuias Natássia Duarte Garcia Leite de Oliveira; Roberta Kumasaka Matsumoto Mestre em Arte / atriz ; Docteur en Lettres et Sciences Humaines / professora UFG; UnB, Palavras-chave: Artes Cênicas; LUME Teatro; Shi Zen, 7 Cuias; Corpo-em-movimento. Este trabalho é um desdobramento da dissertação de mestrado Entre Lumes e Platôs: Movimentos do Corpo-coletivo-em-criação (Vivências com o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp). Sob o olhar cinematográfico do diretor japonês Tadashi Endo, a dramaturgia-coreográfica do espetáculo Shi-Zen, 7 Cuias (2004) – LUME Teatro – se faz com experiências no Butoh-Ma e na cultura brasileira; no sublime, no grotesco (Hugo); no ser-humano que rebenta em seu nascedouro, cru, careca, nu; no ser-humano com suas vivências e habitualidades, com pêlos arrepiados para cima, black power, híbrido em suas vestes de gentes comuns. Os quadros que compõem o espetáculo perpassam por estados e ciclos de vida humana, trazendo para o palco a heterogeneidade e a homogeneidade concomitantes. No presente artigo pretender-se-á explanar sobre algumas perspectivas do corpo em Shi-Zen, 7 Cuias, buscando explorar a composição da cena: a plasticidade, a musicalidade e a corporeidade. Aspectos estes relacionados à imagem-tempo, à imagem-movimento (Deleuze), ao corpo-em-movimento, os quais trazem à tona, inclusive, as singularidades e as diferenças dos sete atores do LUME. Stanislavski e Gorki: um Teatro de Improvisação Patrícia de Borba (Pita Belli) Mestre / Professora de Improvisação e Prática de Montagem Universidade Regional de Blumenau – FURB Palavras-chave: teatro russo, treinamento, Improvisação Este artigo busca identificar como a Improvisação Teatral foi pensada por Stanislavski e Gorki quando da intenção de criar um “Teatro de Improvisação” e de que maneira ela foi inserida nos treinamentos para o ator propostos pelos mesmos. Letramento corporal do ator: Método GDS e Orissi. Priscilla Duarte Atriz / Bacharel em Artes Cênicas / Teatro Diadokai / MG Universidade do Rio de Janeiro UNIRIO Palavras-chave: corpo, gesto, linguagem corporal, cotidiano, extra-cotidiano, ator O corpo é linguagem: esta é uma idéia recorrente do método GDS, que propõe uma leitura do comportamento e da morfologia do homem em seu cotidiano. Do ponto de vista fisiológico, para um gesto harmonioso e coordenado, é necessário o livre diálogo entre as tensões musculares. A manutenção desta liberdade depende da ação preferencial da tríade dinâmica: três cadeias musculares que garantem a transmissão da energia, trazendo ritmo e alternância de curvas para a verticalidade do homem em pé e impulsionando o corpo à abertura e ao fechamento através da rotação das articulações. Em Orissi, o corpo da atriz/dançarina indiana é linguagem. Sua sofisticada escrita de gestos codificados nos serve de base para o estudo da ação da tríade dinâmica em uma linguagem corporal extra-cotidiana. Letramento é a condição de quem apropria-se da língua, cultivando e exercendo com competência a prática da leitura e da escrita. A presente comunicação é uma reflexão sobre o letramento do ator no cultivo e na prática da linguagem corporal, através da apropriação da leitura (método GDS) e da escrita (teatro-dança Orissi) e sobre as fronteiras que separam o gesto cotidiano e o extra-cotidiano, sem negligenciar as matrizes culturais/corporais oriental e ocidental. Vocografias: poéticas experimentais da voz e cena contemporânea Ricardo Aleixo Faculdade de Engenharia e Arquitetura FUMEC Autodidata / Poeta-performador e professor de Design Sonoro Universidade Fumec Palavras-chaves: performance poética – intermídia – poéticas da voz e do corpo – vocografias – corpografias Esta comunicação tem como objetivo compor um breve panorama do desenvolvimento da performance poética no Brasil, desde o início da década de 1990, quando tem início uma série de projetos em colaboração entre poetas, músicos, designers sonoros, artistas visuais, videomakers, cenógrafos, atores e bailarinos, até a presente data. Muitas das propostas abordadas neste artigo representam desdobramentos de iniciativas voltadas, em sua origem, para a gravação de poemas nas vozes de seus próprios autores – em perspectiva não de mero registro, mas de experimentação técnico-formal –, havendo, ainda, aquelas que foram gravadas em CD e/ou DVD depois de terem sido apresentadas em performances e espetáculos. Como estratégia de leitura, deixa-se de lado, aqui, a recorrente indagação sobre os elementos que constituiriam a possível especificidade da performance poética no contexto das poéticas da voz e da cena para afirmar-se o caráter intermídia por excelência dessa prática ainda tão pouco estudada entre nós. Para que estudar o Kathakali no Brasil? Ricardo Gomes Doutor em história, teoria e técnica do teatro e do espetáculo / Diretor Teatral UFOP Palavras-chave: Trabalho do Ator, Teatro Oriental, Transculturalidade Beber na fonte da tradição oriental não significa desenraizar-se, mas pode ser um modo para pensar sobre as próprias raízes. Se esta afirmação é verdadeira para a Europa - que foi buscar no Oriente inspiração para colocar em questão seus cânones artísticos - o é ainda mais para o Brasil, onde as raízes da tradição teatral de matriz européia são muito menos profundas. A complexidade rítmica e a união entre música, dança e dramaticidade são pontos em comum entre formas de arte “exóticas” como o teatro-dança indiano Kathakali e as manifestações performáticas da cultura popular brasileira, das quais não podemos prescindir ao pesquisar sobre a teatralidade em nosso país, sob pena de reproduzir uma visão eurocêntrica. Se existem muitos pontos de contato, há porém uma diferença fundamental: enquanto grande parte do saber de nossa cultura popular não é codificado por regras explícitas, o teatro-dança tradicional indiano segue processos formais de aprendizado lapidados durante séculos, que podem servir para orientar a codificação de nossos comportamentos cênicos. Partindo destes pressupostos, esta comunicação é um estudo sobre a possibilidade e a pertinência da utilização da cultura cênica indiana como referência para desenvolver técnicas de atuação para o ator brasileiro, dentro de uma perspectiva transcultural. A noção de organicidade no percurso investigativo de Jerzy Grotowski Tatiana Motta Lima Doutora em Teatro- Departamento de Interpretação, UNIRIO – professora e atriz. Palavras-chave: Grotowski, Organicidade, Corpo, Ator, Espectador Nesta comunicação discutirei a noção de organicidade na investigação artística de Jerzy Grotowski. Em primeiro lugar, me deterei na gênese dessa noção e nas transformações que ela operou nas noções de ator e de espectador em sua obra. Embora tenha se tornado, ao longo do tempo, uma noção central na obra de Grotowski, a organicidade não esteve presente desde o início de seu trabalho, ela foi 'descoberta'. E, nesse sentido, examinando-a, vamos poder seguir parte do processo de investigação do próprio Grotowski. O termo relacionava-se tanto a aspectos artesanais da arte do ator, aspectos expressos em um amplo espectro de sintomas indicadores da presença do orgânico no corpo e na voz dos atores/atuantes, quanto a aspectos metafísicos, onde a noção de organicidade e uma certa definição de 'verdade' se irmanavam. Talvez a organicidade seja a noção que melhor se adeque à formulação de Flaszen de que a terminologia de Grotowski foi construída em um vai-e-vem entre o artesanato e a metafísica. Aproximando-me dessa noção, será necessário lidar com esses dois aspectos e com a contínua circularidade entre eles na investigação de Grotowski . Por fim, a noção de organicidade traz em seu bojo, necessariamente, uma noção de corpo ou de corporeidade que me interessará, também, explorar. GT “Coros e parentes” Local: Espaço Laranja/ Prédio do Curso de Teatro/ EBA Coordenadores: Jorge das Graças Veloso (UNB) e Gilberto Icle (UFRGS) Oralidade, escrita e encenação: uma breve análise sobre o Auto de Floripes (Príncipe-África) e a Luta de Mouros e Cristãos (Prado-Bahia-Brasil) Alexandra Gouvêa Dumas Mestre em Artes Cênicas- PPGAC- UFBA / Atriz e professora de teatro UFBA / Paris X Palavras-chave: Oralidade, Encenação, Mouros e Cristãos, dramas carolíngios. Este texto faz uma breve análise sobre duas manifestações de temática comum, denominadas carolíngias por serem oriundas do livro “História do Imperador Carlos Magno e dos doze pares de França”. São elas: a “Luta de Mouros e Cristãos”, de Prado-Bahia-Brasil e o “Auto de Floripes”, de Príncipe, da República de São Tomé e Príncipe, na África. O foco de observação está sobre a mixagem de linguagens que ocorre nestas manifestações no que tange a oralidade, a literatura e a encenação. Na tentativa de compreender processos de construção, transmissão, perpetuação e atualização de conhecimentos tradicionais, este texto parte do tema Oralidade, tendo como foco de observação a confluência de linguagens─ oral, escrita e cênica ─ entre dois folguedos. O Auto de Floripes e a Luta de Mouros e Cristãos são frutos desta interseção de linguagens, seja corporal e comunicacional. Desta maneira que, credito à natureza das narrativas carolíngias, com sua disponibilidade para o trânsito inter-linguístico e sua condição de exercitar uma tradicionalidade dinâmica, a sua permanência no mundo contemporâneo. Por isso que acrescento à Oralidade e à Escrita, a Encenação como código linguístico de representação significativa nos estudos carolíngios por pensar que a potência estética destas manifestações implica um corpo que não só vê e lê escrituras, ouve e fala narrativas, mas que também dedica seus sentidos para ampla percepção, captação e recriação destas histórias. Na trilha luminosa de uma estrela: Folia em experimento Barbara de B. A. Lito de Almeida Mestre Instituição / Atividade: documentarista PUC-RIO Palavras-chave: Cultura popular; cinema; oralidade; Folia de Reis; interdisciplinaridade. Este trabalho é fruto de um experimento realizado durante o mestrado, que propôs uma estrutura de tese-roteiro sobre as Folias de Reis – tradição que permanece viva e em constante integração à cultura contemporânea. Buscando realçar suas dimensões narrativas – verbal, performática, histórico-mítica e sócio-política – e explorar sua interdisciplinaridade, tal roteiro foi desenvolvido na tensão entre criação artística e produção crítico-conceitual. Os componentes da Folia são principais intercessores na cine-escritura, num movimento de tornar-se outro – na frente ou atrás das câmeras – impulsionado pela potência dos encontros. O diálogo entre as fabulações permite a invenção de um espaço-tempo imaginários, criados na tensão entre o presente – a apresentação das Folias – e o passado – o mito da natividade. O resultado é um filme, onde o gesto tornou-se o lugar da experiência e a imagem não delineia os limites que separam o corpo do mundo, mas ressalta a fronteira que os articula. O corpo, impessoal e pré-individual, engendra um entre-lugar que, por vezes, mistura-se ao mundo que o cerca. O filme, então, transforma-se num ritual, experimentando a relação entre o microcosmos de gestos – que se fazem corpo no ato de encenação do mito – num macro-cosmos, que transforma esse corpo-gesto, cosmogonicamente imagético, numa nova visualidade. A dramaturgia do personagem caboclo Carina Maria Guimarães Moreira Carina Maria Guimarães Moreira Mestranda / Diretora Teatral UNIRIO Palavras-chave: Performance, Umbanda, Caboclo, Personagem, Dramaturgia. O presente trabalho, integrante da pesquisa de mestrado Salve o Rei do Movimento: a performance do caboclo no ritual da Umbanda de Barra do Piraí-RJ, propõe analisar o Caboclo como “personagem”. Fazê-lo constitui compreender o sentido de “personagem” e de dramaturgia de forma mais ampla. A dramaturgia do personagem Caboclo tanto pode ser entendida como o conjunto de narrativas expressas pelos participantes da Umbanda e entidades, como também pelos pontos cantados. Ao voltarmos nossa atenção para a performance do ritual podemos entendê-la como uma construção a partir das ações físicas desenvolvidas pelos personagens. Nessa perspectiva, a dramaturgia é entendida como trama, tecido, trabalho de ações. Essas qualidades da trama estão ligadas ao teatro estético, que pode dispor de um “texto previamente escrito” base para encenação. Este pode ser transmitido independente da encenação, já o “texto da representação” só vai se formar ao fim de um processo de trabalho e não pode ser transmitido como o escrito. Tais qualidades suscitam uma série de discussões a cerca do teatro “tradicional” e “novo”, entre o “texto da representação” e o “texto composto a priori”, que Barba defende ser antes de uma contradição uma “situação complementar, uma espécie de oposição dialética” onde o prejuízo que pode acontecer é a perda de equilíbrio entre o pólo de concatenação e o pólo de simultaneidade. Um olhar etnocenológico dos festejos de Pascoela na Baía de Todos os Santos Célia Conceição Sacramento Gomes Psicodramatista Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira – AMAFRO Palavras-chave: cultura afro-baiana; etnocenologia; danças das tradições populares A comunicação aborda os festejos em louvor a Nossa Senhora da Penha e a São Benedito, na localidade da Penha - Ilha de Itaparica. As práticas rituais católicas e a produção coreográfica das rodas de samba, o gestual e o figurino dos participantes do evento fornecem dados sobre a dinâmica da festa, que remete às vinculações dos participantes com a cultura, suas representações e tradições. As formas de construção dessas práticas culturais são baseadas nas matrizes formadoras da comunidade e nas diversas influências que permeiam os discursos produzidos por esses agrupamentos humanos no seu cotidiano, especialmente suas práticas corporais, manifestações artísticas e culturais. A etnocenologia destaca como um princípio a abordagem transdisciplinar, que a aproxima de outras áreas do conhecimento; esse caráter permite que os praticantes da cultura falem do lugar onde seus saberes são produzidos: o corpo que se organiza para o espetáculo rememora no presente as histórias vividas e aprendidas no passado e que se reafirmam numa espécie de jogo que transcende a realidade. A escuta perfumada: o memorial da pomba-gira face à passagem da memória: teatralidade e rito Clóvis Domingos dos Santos Diretor teatral e performer. UFMG Palavras-chave: Pomba-gira. Dor feminina. Teatralidade. O Obscena - agrupamento independente de pesquisa cênica - investiga experimentos performativos que têm como referência a invenção e construção dos gêneros (especialmente a mulher) e que propõem a revisitação e reterritorização das relações entre o teatro e o espectador, o público e o privado, a teatralidade e a sociedade do espetáculo. A criação se dá em rede colaborativa, em que as experimentações se retroalimentam através não só do diálogo constante entre os pesquisadores envolvidos, mas também da participação do espectador/colaborador. Dentro do projeto “Às Margens do Feminino: texturas teatrais da beira” optamos pelo tema da pomba-gira e o feminino marginalizado na umbanda. A pomba-gira, como se apresenta, desnaturaliza e tensiona as construções sobre o feminino numa sociedade machista e patriarcal. Dois procedimentos mágico-espetaculares são pesquisados em nosso recorte temático: a escuta das confissões de dor e amor das mulheres e a atualização do cerimonial da pomba-gira no “evento” dessa escuta. Dessa forma desejamos relatar a experiência de convidar mulheres anônimas da cidade de Belo Horizonte para relatarem suas dores e perdas no espaço de um edifício teatral, mais especificamente o banheiro feminino. Utilizando elementos como perfume e champanhe, o performer realiza a escuta das confissões femininas e questiona fronteiras como teatralidade, ritual, memória e experiência artística e religiosa. O corpo e a voz das Orações da Noite: os limites de uma análise etnocenológica sobre um fenômeno religioso Cristiano de Araujo Fontes Doutorando - PPGAC – UFBA / Mestre em Artes Cênicas - PPGAC– UFBA Palavras-chave: Etnocenologia, Espetacularidade, Rito Religioso, Comunidades. Este texto visa abordar um assunto que foi tema central de minha própria pesquisa de mestrado, no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – PPGAC, pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. Não é necessariamente um resumo e nem um material de divulgação dos resultados, sendo muito mais um meio de encaminhar questões e problemas ligados ao campo das artes cênicas, principalmente, circunscrito nos temas da etnocenologia, da espetacularidade e da teatralidade da vida social. A pesquisa sobre as Orações do Terço de Nossa Senhora na comunidade do Salgado Grande, intitulada como As Orações da Noite, é chamada, aqui, a dar sua contribuição ao fenômeno da espetacularidade ligado a um rito religioso encarnado numa prática coletiva de uma comunidade. Por um lado se buscam delinear, sem exaurir, os limites teóricos do horizonte interpretativo do atual campo de pesquisa e conhecimento da etnocenológica. Por outro, a partir de tais limites, horizontes, buscam-se apreender e compreender a prática do terço quanto às suas referências constitutivas, as relações de co-pertencimento entre as partes e o todo e as expressões estéticas – matrizes estéticas – reveladoras de um modo de ser em comum. E, por fim, busca situar o praticante, agente de ação da prática ritualística, como poeta da tradição, assumindo-a e (re)interpretando-a. Assim, o pequeno texto, em forma de artigo, soma-se, também, às outras contribuições endereçadas ao VI Colóquio Internacional de Etnocenologia, sediado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Corpos, (in)disciplina e corações em festa na procissão do Sagrado Coração de Jesus em Laranjeiras – SE Emanuel Santos de Araújo Mestrando em Desenho, Cultura e Interatividade pela Universidade Estadual de Feira de Santana. UEFS Palavras-chave: Etnocenologia, Corpo, Poder Este trabalho tem como objetivo analisar a performance e a memória social articuladas na festa do Sagrado Coração de Jesus, na cidade sergipana de Laranjeiras. Contemplando o cenário da festa, a espetacularidade dos corpos numa situação de transgressão da disiciplina hegemônica, pretendemos estabelecer diálogo com o objeto de estudo da etnocenologia. A complexidade desta nova perspectiva de corpo, nas suas múltiplas dimensões, nos permite analisar os conflitos, as estratégias e mediações que se manifestam durante o cortejo. A participação de diversas comunidades culturais na procissão conferem a esta prática espetacular organizada, um ambiente onde se encontram vários saberes, que reclamam através do corpo a sua visibilidade no espaço da festa. Um olhar sobre a quadrilha no Acre: transfiguração de uma festa Valeska Alvim; Andréa Favilla Lobo; Flávio Lôfego Encarnação Mestranda em Artes – UNICAMP. Professora do Curso de Artes Cênicas; Doutoranda em Educação – UFMG. Professora do Curso de Artes Cênicas; Bacharel em Direção – UNI-RIO. Professor do Curso de Artes Cênicas UFAC O presente trabalho, é fruto das ações do Núcleo de Estudos em Artes Cênicas e Música da UFAC e discute questões a respeito da espetacularidade das quadrilhas realizadas no Acre e seus impactos na produção artística local. Para tanto, lançamos sobre esse evento o olhar da etnocenologia, esta nova etnociência que se propõe a estudar as artes do espetáculo e os comportamentos humanos espetaculares organizados. Identificamos e descrevemos os elementos constitutivos dessas manifestações, seus personagens recorrentes, como parte de um processo, em que tempo e espaço possuem um sentido próprio, ressaltando sua dimensão espetacular e destacando seus aspectos lúdicos e cômicos. Coincidências elementares nos objetos etnocenológicos Frederico Ramos Oliveira Pesquisador / Ator / Cambono EBA - UFMG Palavras-chave: psicofísica, objetos etnocenológicos, gnosiologia, ator, ritual Exponho aqui o uso de noções em Etnocenologia na investigação de relações entre o trabalho de ator e outros tipos de performance. Esses movimentos de conexão e diálogo promoveram a compreensão de coincidências elementares nos fenômenos estudados. Para tanto, explorei as noções propostas por Bião para ajudar a distinguir em mim os objetos etnocenológicos. Sem excluir os entornos, foquei o que me funciona do Sistema Stanislavski como objeto substantivo, minha vivência ritualística umbandista como objeto adjetivo, o estudo psicanalítico do meu comportamento cênico cotidiano como objeto adverbial e a reflexão gnosiológica que acompanha essas experiências como objeto infinitivo. A compreensão de um objeto iluminou o entendimento de outros. Com mais idéias etnocenológicas orientei as descrições, análises, sínteses, os aportes teóricos e o resgate e registro da experiência prática. Assim, ampliei a compreensão de coincidências elementares nos objetos: vontade, engajamento, acionamento e a sinceridade/credibilidade/fé acionando sistemas que funcionam de forma equivalente em todos os objetos: os processos (voluntários ou não) de objetivação e subjetivação, nos quais interagem substâncias concretas (corpo, espaço, luz, voz) e abstratas (falas, histórias, arquétipos, códigos de conduta, ideologias). Esses tratamentos ampliaram meu conhecimento psicofísico desses e nesses fenômenos. Estudos da presença, afiliações de parentesco com a etnocenologia Gilberto Icle Graduado em Artes Cênicas / Mestre e Doutor em Educação pela UFRGS / Ator e diretor da Usina do Trabalho do Ator / Coordenador do Grupo de Estudos em Educação, Teatro e Performance / Professor do Programa de Pós-graduação em Educação da UFRGS / Pesquisa financiada pelo CNPq UFRGS Palavras-chaves: Teatro. Pedagogia Teatral. Estudos da Presença. Etnocenologia. Pradier, Jean-Marie. Foucault, Michel. Este trabalho procura caracterizar os Estudos da Presença como a pesquisa dos usos do corpo e seus modos particulares e culturalmente constituídos de chamar a atenção nas práticas espetaculares. Da mesma forma, esses Estudos investigam dimensões culturais e filosóficas da presença como processos de referencialização. Assim, indaga-se sobre as afiliações de parentesco com algumas proposições da Etnocenologia, tal qual especificadas por Pradier e discorre-se sobre uma necessária forma de pensar diferente, a partir das proposições filosóficas de Michel Foucault. Discute-se, então, as tarefas da pesquisa nos Estudos da Presença como modo de ascese contemporânea. Ritos religiosos na tradição: corpos em sagração ou artes do espetáculo? Jorge das Graças Veloso Ator e Professor / Doutor em Artes Cênicas Universidade de Brasília Palavras-chave: Ritos religiosos, espetacularidade, etnocenologia Partindo de formulações da etnocenologia, esta é uma reflexão sobre as características de espetacularidade com que tem se consolidado, nos últimos anos, práticas religiosas adjacentes ao catolicismo romano, notadamente no chamado entorno goiano do Distrito Federal. Esta disciplina, criada em 1995, em Paris, propõe a espetacularidade como sendo um estado de organizar-se deliberada e intencionalmente para o olhar de uma platéia, também consciente dessa presença. O que tem caracterizado os ritos observados para a produção desta comunicação, é um distanciar-se cada vez maior do sentido religioso estrito com que, tradicionalmente, eram praticados. Em seu lugar, pelas maneiras de comportamento dos praticantes das congadas, folias, caretadas, cavalhadas, procissões de fogaréu, se sobressai cada vez mais o sentido de espetáculo propriamente dito, muitas das vezes feito inclusive por pessoas sem nenhuma ligação com o fazer de sagração que motivaram suas origens. E é com este caráter, de produção de verdadeiros espetáculos religiosos, que têm se destacado no espectro turístico da região, cidades como Pirenópolis (Cavalhadas), Catalão (Congadas), Trindade (Desfile de Carros de Boi), Cristalina (Encontro de Folias), Planaltina-DF (Paixão de Cristo), Luziânia e Cidade de Goiás (Procissão do Fogaréu). Combater o infiel e o pagão cantar e dançar uma derrota Marianna Francisca Martins Monteiro Doutora em Filosofia (FFLCH-USP) / Professora do Departamento de Artes Cênicas Educação e Fundamentos da Comunicação Instituto de Artes da UNESP Palavras Chave: escravidão, congada, guerra justa, dança dramática Guerras, Embaixadas, luta entre Cristão e Mouros à luz da legitimação ideológica da escravidão, discurso que se faz sobre si do ponto de vista do outro. A comunicação que proponho volta-se para aspectos recorrentes nas teatralidades populares brasileiras, especificamente naquelas que Mário de Andrade chamou de Danças Dramáticas Brasileiras. O foco volta-se para as Congadas dramáticas, manifestações que se fizeram presentes nas festas e procissões barrocas ao longo do século XVIII e que ainda hoje são encenadas em festas de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, embora muitas vezes já não se apresentem com os seus entrechos dramáticos. Na Congada dramática interessa, em especial, o tema da guerra, que será analisado a partir de antigas teorias teológico-políticas da Guerra Justa. Os enredos das Congadas dramáticas, bem como a recorrência do tema da guerra nas manifestações populares, de uma maneira geral, serão pensados à luz das justificativas da escravatura, na cultura letrada portuguesa dos séculos XVII e XVIII. Indaga-se, a partir daí, que sentido tem nos dias de hoje a encenação dessa derrota/vitoria, nas festas católicas, na expressão devocional católica de negros e mestiços. Griots africanos: busca de princípios para uma atuação. Ricardo Alexandre Ribeiro Rodrigues Ator / Graduado em Artes Cênicas pela ECA-USP / mestrado Instituto de Artes – UNESP. Nesta comunicação, apresento os griots africanos, geralmente conhecidos como músicos e contadores de histórias, situando-os no contexto da tradição oral e do teatro tradicional africano – mais especificamente do oeste africano – e enfocando suas categorias, repertórios e papéis sociais. A partir de aspectos éticos e estéticos presentes na atuação dos griots, levanto questionamentos, reflexões e princípios que possam inspirar uma atuação artística. Dentre esses princípios, destaco a integração entre teatro, música e literatura; o diálogo crítico, não idealizado, com a memória coletiva, seus sentidos e valores; e a construção de narrativas como meio de expressão artística e de comunicação com o público. O Pierrô e a máscara: a espetacularidade do corpo cômico no Boi de São Caetano de Odivelas Silvia Sueli Santos da Silva IFPA Palavras-chave: Cultura Popular, Etnocenologia, Máscara corporal, Brincadeira de boi, Corpo cômico, Espetacularidade A presente comunicação descreve o Pierrô, personagem mascarado da brincadeira de boi da cidade de São Caetano de Odivelas e as interfaces desse com os múltiplos corpos cômicos que ele traz em sua espetacularidade, do palhaço ao performe de rua. Esse outro (o personagem) criado a partir da máscara, constrói outro corpo, que se torna sua referência visual e sua personalidade cênica. A máscara e sua representatividade simbólica estão presentes no imaginário cultural brasileiro, compondo o visual e caracterizando os personagens de muitos folguedos regionais. De forma lúdica, convocando o riso ou de forma cerimonial, convocando o sobrenatural, esse objeto nem é simples, nem tampouco neutro dentro de uma manifestação coletiva de qualquer natureza, seja ela ritual ou eventual. Sua presença no contexto da festa popular transforma o corpo e a expressão de quem a usa. A Etnocenologia oferece um novo campo conceitual para interpretar a máscara enquanto fenômeno portador de um caráter espetacular. Um olhar sobre o corpo divinizado no Candomblé da Bahia Suzana Martins Professora da Escola de Dança e do Programa de PPGAC/ UFBA. PPGAC/ GIPE-CIT/ UFBA Palavras-chave: Corpo; Religião; Ancestralidade; Memória. O ator-dançarino no Boi-de-Mamão Valmor Níni Beltrame Professor / pesquisador / diretor teatral Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC Palavras-chave: Ator-dançarino; Boi-de-Mamão; Técnicas codificadas de longa duração O presente texto resulta das reflexões produzidas na pesquisa “Boi-de-Mamão: tradição das artes cênicas catarinenses” que evidenciou a existência de conhecimentos produzidos pelos homens que atuam no Boi-de-Mamão. O estudo destaca que muitos destes saberes são criados, outros são herdados, constituindo, desse modo, o acervo de técnicas que o ator-dançarino que anima a figura do Boi precisa dominar para atuar no grupo. A continuidade e a preservação da brincadeira do Boi-de-Mamão estão intimamente ligadas à transmissão oral e, sobretudo, à observação da prática, à forma de apresentá-la. O que é transmitido aos aprendizes pode ser compreendido como técnicas ou estruturas materiais ou imaginárias ou ainda como técnicas codificadas de longa duração. Trata-se de um conjunto de bons conselhos transmitidos aos integrantes dos grupos. GT Fluxos Local: Espaço Vermelho/ Prédio do Curso de Teatro/ EBA Coordenadores: Maurílio Andrade Rocha (UFMG) e José Simões (Universidade de Sorocaba e NECCURB–CES) Riso: fonte da juventude? Ana Rita Queiroz Feraz Mestre em Educação Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade / Bolsista da FAPESB Universidade do Estado da Bahia - UNEB Palavras-chave: arte, educação, contemporaneidade, riso. O presente artigo discute a utilização do Teatro Espontâneo, de inspiração fenomenológico-existencialista, como método, no projeto de doutoramento em educação, que objetiva o aprender a ser professor, por estudantes de licenciatura da Universidade do Estado da Bahia, a partir da pesquisa sobre o riso de estudantes da Rede Estadual de Ensino. Parte da constatação da ausência de questões relativas à “juventude” na contemporaneidade, nos currículos das licenciaturas, destinados à formação de professores que atuarão nos 6o, 7o e 8o anos, e no Ensino Médio. Considera que o riso desses jovens pode ser indicativo dos seus modos de ser no mundo, e que a experiência da investigação pelo Teatro Espontâneo, poderá possibilitar aprendizagens significativas para o ofício de ser professor. Sua relevância está em estabelecer relações de compromisso, (com)promessa, dos professores com a materialidade da vida escolar, além de incluir irremediavelmente a corporalidade como condição expressiva do ser-aí. Referencia-se nos estudos de Jacob Levy Moreno, Walter Benjamin, Mikhail Bakhtin, Heidegger, Maffesoli, dentre outros. The Pioneering (Wonder) Woman: uma heroína da fronteira americana Arthur Marques de Almeida Neto Mestrando em Dança Pesquisador / Coreógrafo / Bailarino / Professor de dança / Bolsista FAPESB. UFBA Palavras-chave: dança moderna americana, Martha Graham, identidade nacional. Neste trabalho, proponho que Martha Graham, em sua fase de danças nacionalistas denominada “Americana” (1935 – 1944), consegue relacionar suas coreografias, em especial “Appalachian Spring” (1944), com a cultura nacional americana e construir sentidos de identificação através da narrativa de uma nação, conceito apresentado por Stuart Hall. Nesse viés, pretendo mostrar que a dança de Graham consegue (re)contar histórias da nação, (re)afirmando a cultura nacional e transmitindo esse discurso ideológico, como observo no ensaio de Janet Eilber, que comparo a um relato de experiência etnográfica, onde está presente a alegoria ou uma prática de narrativa ficcional. Reflito sobre a responsabilidade do artista em relação aos sentidos incontroláveis ou múltiplos significados que um trabalho de dança pode produzir. Dança e tecnologia: novos suportes midiáticos digitais, novas configurações profissionais Belkiss Amorim Mestranda em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local UNA BH / Coreógrafa Prof. de Dança UNA/ MG Palavras-chave: Novas tecnologias, contemporaneidade, complexidade, inovações, corpo, imagem, profissionalização, mercado de trabalho. A Dança ganhou mais visibilidade através das novas TICs ao se inserir no novo paradigma mundial: a sociedade da informação e do conhecimento, iniciando importante fenômeno de transformação nas configurações técnicas e artísticas. As interfaces tecnológicas digitais incorporadas pela Dança vêm agregar novos valores, desafios e parâmetros de complexidade, do ensino à realização do espetáculo. O impacto das TICs (fenômeno em processo) interferem na cena cultural e provocam a reconstrução de conceitos das configurações da Dança e suas interfaces. Buscamos nova significação para o corpo, o espaço e o tempo. A complexidade e os discursos transversais reforçam o pensamento do cubista Georges Braque, de que a função da arte é perturbar. A complexidade potencializa inovações fundamentais para a evolução da Dança que passa por um processo de transformação imensurável ao incorporar a ciberdance, a vídeodança, a tecno-body-art, os suportes midiáticos, a robótica, a halografia, a imagem digital e a virtualização do corpo. É fundamental sua preservação como linguagem polissêmica, rica de significados e propulsora de “burburinhos” que movimentam a cena artística. Propomos o meio ensino/experimentação em interação com as possibilidades das TICs, para potencializar novas habilitações tecnoartísticas adequadas às novas necessidades profissionais da Dança Contemporânea. Territorialidades e absorção de saberes locais para uma formação acadêmica em Dança Cecília Bastos da Costa Accioly Aluna regular do curso de Mestrado (PGAC / UFBA) / Especialização em Gestão Acadêmica (Escola de Administração / UFBA) / Graduação em Licenciatura em Dança (Escola de Dança / UFBA) PPGAC / UFBA Palavras-chave:Territórios. Formação acadêmica. Dança O trabalho intitulado “Territorialidades e Absorção de Saberes Locais para uma formação acadêmica em Dança”, autoria da mestranda Cecília Accioly, coreógrafa, professora substituta da Escola de Teatro/UFBA, sob orientação da Profª Dra. Lúcia Lobato, PPGAC/UFBA; problematiza a presença dos pressupostos de territorialidades e saberes locais em graduações em Dança no Brasil, através de um panorama curricular histórico de formação das universidades brasileiras até a aplicação das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2002. Consiste em comparar currículos, refletir sobre suas conseqüências nas atuais práticas pedagógicas, e indicar parâmetros para uma reformulação da dança na academia visando um novo percurso de construção do profissional de Dança. Fundamenta-se, principalmente na Teoria da Complexidade de Morin; no Conhecimento Comum e nas abordagens do cotidiano de Maffesoli; no conceito de saber local e culturas de Geertz; nas noções de territorialidade explícitas por Milton Santos e Bauman; nas identidades revistas em Hall e Bauman; e em teóricos/teorias pós-colonialistas e pós-estruturalistas. Far-se-á, também, uma análise sobre a construção do conhecimento sob uma perspectiva biológica – Maturana e Varela – em diálogo com as construções institucionais baseada em Foucault. A proposta é questionar a atual formação dos licenciados em dança e a sua capacitação para um diálogo competente para uma intervenção em suas culturas. O efêmero, a repetição e a vontade de potência Cesar Huapaya Professor do centro de artes da Universidade Federal do Espírito Santo-UFES / Coordenador do Grupo de Teatro Experimental Capixaba / Doutor em teatro pela Paris 8 / membro do grupo de etnocenologia da Paris 8 Palavras-chave: Performance, tempo,repetição e vontade de potência As práticas espetaculares dos Djs na cena eletrônica em Salvador Claudia Silva de Santana Mestre em Educação UNEB Palavras-chave: Cultura; hibridismo; Djs; música; tecnologia; etnocenologia, performance A música brasileira atravessa um momento peculiar na sua história. Enfrenta o impacto das novas tecnologias que margeia e caracteriza a sociedade da informação. A música tecno ou eletrônica é, no começo do século XXI, o exemplo mais acabado e popular de simbiose entre música e tecnologia. De maneira que a cena eletrônica em Salvador vem se configurando na atualidade como um dos espaços importantes de apresentações de Djs cada vez mais profissionais. Personagens importantes da música eletrônica, os Djs impressionam por suas práticas conceituais elaboradas. Neste contexto, um questionamento: quais as matrizes estéticas e culturais das práticas espetaculares dos Djs?A idéia é iniciar uma reflexão sobre aspectos espetaculares presentes nas apresentações dos Djs soteropolitanos, a partir dos conceitos de cultura, hibridismo, etnocenologia, performance e tecnologia. O elemento que estrutura a operacionalização da pesquisa é da ordem fenomenológica, posto que reconhece-se como essencial a interpretação que os sujeitos do objeto pesquisado têm sobre deste. O manejo de tais significações implica na articulação contínua entre duas funções: descritiva e crítica. Narrativa oral: rastros na imagem da câmara Inés Pérez-Wilke Mestranda do PPGAC/UFBA / Professora da Universidad Bolivariana de Venezuela Universidade Bolivariana de Caracas Palavras chave: Teatro–Aspectos antropológicos, Oralidade, Mulheres, Narrativa (Retórica) , Videoarte Estudo do registro, tratamento e re-elaboração audiovisual de sessões de narração oral no seio da comunidade de Alto das Pombas, na cidade de Salvador, Bahia, com o Grupo de Mulheres desta comunidade. Observação das potencialidades teatrais e espetaculares do encontro no seio do grupo primário que deixa na fita rastros do corpo e da voz atuando em distintos níveis. A textura, o tempo local e a simplicidade nas imagens e no som aparecem como características do material produzido assim como a diferença e o heterogêneo numa prática audiovisual comunitária criativa oferecem um diálogo com o real social. Entre o visível e o não visível: as vozes do lugar teatral na paisagem das cidades de pequeno e médio porte em Portugal. José Simões de Almeida Junior. Pesquisador e encenador / Doutor. Centro de Estudos Sociais (CES)- Núcleo de Estudos Sobre a Cidade e Culturas Urbanas (NECCURB).Universidade de Coimbra. Para além das salas de teatro edificadas existem, também, os lugares teatrais não construídos para esse fim, fixos ou dinâmicos, como por exemplo, o teatro que acontece em barracões ou em outros espaços como bibliotecas públicas, pátio das escolas, rua, hospitais, entre outros. São lugares teatrais efêmeros que propiciam ao espectador, na sua relação com a cidade, “outro olhar” do espaço urbano. O conjunto de imagens produzidas por esses lugares teatrais necessitam de recursos outros para poderem ser identificados e visualizados na paisagem das cidades, como a memória, a proximidade, a afetividade, o rito. Assim, interessam refletir nessa comunicação acerca do modo como os indivíduos assimilam as interferências globais na produção local da atividade teatral, fora das metrópoles. Isto é, a fragmentação, deslocalização, multiplicação e o modo como se fazem visíveis os espaços da cena em espaços geográficos menores. Deseja-se apontar algumas pistas acerca destas “vozes” responsáveis pela elaboração do imaginário teatral contemporâneo nas pequenas e médias urbanidades portuguesas. Num tempo em que “não existem mais” a Grécia e as tragédias referenciais da polis; nem a força anárquica do medievo e seus autos nas praças; nem o drama bem posto do século XIX que revelavam as novas faces das cidades nos palcos dos edifícios ditos à italiana. O corpo linguagem da performance: corpoespaçotempo Laila Klair Araújo Pífano Atriz-performer - Graduação Universidade Federal de Ouro Preto Palavras-chave: Palavras-chave: performance, corpo, linguagem, ação, instante, espaço, tempo. Há uma certa contaminação de vida na performance, prolixa pelas vibrações latentes de um corpo que se coloca no meio dos destroços de uma arte em desconstrução. O trabalho objetiva discutir o corpo como linguagem da performance que, encarnado por devires, busca na experiência cênica sua singularidade. Não há acabamentos e moldes no corpo performático, seu processo de recriação é infindável e está na ordem do caos, onde encontra o seu não-lugar. A partir desta análise é possível compreender o “estado de corpo” na cena performática, que se manifesta dentro de um processo autofágico e através de sua desorganização torna-se capaz de se refazer a cada instante em busca da eminência da ação. Para tanto, é necessário ainda refletir sobre a atuação do corpo na construção e na desconstrução de imagens, capazes de revelar o desenho de uma linguagem cênica poética, onde não há palavras, nem ao menos semântica; o que se escreve é apenas o corpo no vazio e o vazio no corpo, que preenchido no espaço e no tempo torna-se ação. Assim, corpoespaçotempo é a manifestação total do corpo em ação na performance. Imerso na profundidade do instante, o corpo, em devir, torna-se capaz de se escrever no espaço e no tempo em que se faz presença, configurando-se como linguagem pura e viva da cena. A voz do corpo e o corpo dos sem vozes: a loucura que encena pelas ruas e se mostra identitária Lílian Leite Chaves UnB Doutoranda Programa de Pós- Graduação em Antropologia Social, UnB Palavras-chave: loucura, identidade, espetacularidade Este trabalho versa sobre o lugar dos loucos de rua no cotidiano e na memória da cidade de Ouro Preto. Esses loucos que caminham pelas ruas da cidade cumprindo sempre o mesmo trajeto e executando as mesmas ações, encenam para uma platéia que diariamente lhes dão deixas para que a atuação sempre ocorra. Falarei de alguns loucos que já morreram, mas que estão eternizados na memória dos mais velhos e homenageados em eventos, comemorações e estabelecimentos comerciais da cidade e, também, de quatro loucos que estão vivos e que caminham pelas ruas da cidade há mais de 30 anos. A loucura é sempre vista como um lugar da falta (de razão, de sociabilidade, de linguagem) e como estando de fora (da razão, da realidade, da memória), mas o caso dos loucos de rua da cidade de Ouro Preto inverte essa forma de ver a loucura e mostra, a partir de ações espetacularizadas, como a loucura está dentro e como ela se configura como uma das singularidades da cidade e como uma marca identitária da mesma. Estado pirata: performance na rua em Brasis capitais Maicyra Teles Leão e Silva Professora e artista / Mestre em Arte Contemporânea UFS - Universidade Federal de Sergipe – Brasil Palavras-chave: Espaço público; performance na rua; intervenção urbana; arte e política sutil A partir da compreensão da Rua como ambiente público capaz de promover encontros de sutilezas e sinceridades, o texto elege a performance como mediador artístico que viabiliza sensorialmente a afetação de subjectos e sujeitos sociais, super-orientados esteticamente, que tornam-se autores de fatos e atos capazes de “roubá-los” de sua dimensão cotidiana. O texto aborda ainda a questão da constituição do espaço, a partir das fronteiras e limites com seu entorno, buscando compreender como se configura o espaço da rua e como este se relaciona com o acontecimento efêmero da performance. Para tanto, partindo de investidas práticas, busca apontar alguns aspectos relevantes do acontecimento performático e a forma como esse se molda e é permeado pelo transeunte/habitante, que compõe o espaço público. As intervenções artísticas são também contrapontos em relação ao espaço, tempo e movimento da cidade. Um corpo estranho que desvenda e ativa outros espaços de significados e memórias. Ela é realocada em um outro ambiente contextual onde o foco das pessoas que o configuram é disperso e desprovido de uma percepção “educada” para a arte. Como ações norteadoras, apresentarei imagens e relatos de ações performáticas como “Experimentos Gramíneos”, “Afora”, “Zona de Confronto”, “Paulistanos” e “Cama”. A figura da baiana na cena da canção popular brasileira-baiana Marilda de Santana Silva UFBA Doutora / Cantora / performer / professora da UFBA Palavras-chave: Etnocenologia; Baiana; Canção. A história, recentemente, tem aportado contribuições relevantes ao estudo da figura da baiana como um ícone mestiço, fazendo referência a matrizes culturais de identidade baiana e brasileira. Nos trabalhos pesquisados, em grande parte, faz-se referência à figura de Carmen Miranda como sua maior representante. Pretende-se ampliar o estudo deste processo, em andamento, por meio de pesquisas de caráter transdisciplinar, enfatizando a multiplicidade dos campos. Dessa maneira, propõe-se uma reflexão sobre a contribuição da etnocenologia para uma abordagem compreensiva destas práticas e comportamentos humanos espetaculares próprios a este estudo organizados no ambiente da sociedade brasileira\baiana. Busca-se analisar a representação da personagem/tipo que povoa desde o Brasil Colônia, representada por gravuras de Debret e Rugendas, passando pelos personagens encenados nos teatros de Revista na República, pela literatura em títulos de Jorge Amado, Aloísio de Azevedo, pelas canções de Dorival Caymmi e Ary Barroso. O estudo desta personagem/tipo presente no cancioneiro nacional/local pode se configurar, como uma oportunidade de desenvolver experimentações espetaculares interdisciplinares sobre o hibridismo étnico, artístico, cultural brasileiro e as questões cênicas, corporais e vocais a ele associadas. Teatro dialético e violência urbana: perspectivas de uma etnocenologia participativa Maurilio Andrade Rocha Doutor / Professor Associado Escola de Belas Artes - UFMG Palavras-chave: Etnocenologia participativa; teatro dialético, violência urbana. A Cia. teatral ZAP 18 estreou em 2006 o espetáculo Essa Noite Mãe Coragem, inspirada na conhecida peça de Brecht. A montagem do grupo caracteriza-se por abordar a atual realidade da violência urbana no Brasil, gerada especialmente pelas desigualdades sociais e pelo tráfico de drogas, aproximando-se do tema de forma dialética e apresentando vários lados da questão. O curso de Teatro da Escola de Belas Artes da UFMG é parceiro desse trabalho através da colaboração de professores na criação do espetáculo e da presença no elenco de cinco alunos de graduação em Teatro como atores e bolsistas de Iniciação Científica. Entre os aspectos marcantes da encenação podem-se destacar o local escolhido para as apresentações (a sede do grupo no periférico bairro Serrano ou em outros locais de iguais características), a inserção de temas musicais considerados marginais como o rap e o hip hop, a inclusão de atores amadores da comunidade local no elenco e a abertura de espaço ao final de cada apresentação para que o público apresente suas reflexões e relatos de vivências pessoais sobre a temática abordada. No atual momento, pretende-se avançar na relação com a comunidade residente no entorno da sede do grupo, estreitando contatos que parecem se adequar ao conceito de etnocenologia aplicada, tomando-se por base os caminhos já percorridos pela etnomusicologia. Ação musical no território da encruzilhada Mauro Rodrigues Mestre em musicologia / Professor e músico. Conservatório Brasileiro de Música / UFMG Palavras-chave: Ação Musical Este texto abordará de forma sintética os trabalhos de Stanislavski e Grotowski, alinhando-os contrastivamente. Em sua síntese pretende relacionar os principais conceitos desenvolvidos pelos dois encenadores/diretores/atores/teóricos, pontuando seus pontos de conexão, tangência e os diferentes resultados a que chegaram e se propuseram em seus respectivos trabalhos. Para a Stanislavski a enunciação do texto é ponto central da ação, como uma “ação verbal”. Para Grotowski, a voz é instrumento de “ação vocal”, aonde a palavra vem desempenhar um papel diverso, e o sentido abre espaço para a sonoridade, com todas as implicações que isto tem na ação. Um vai ao espetacular e o outro ao ritual. O passo seguinte será a construção de um conceito, uma idéia que batizo de “ação musical”. Tal empreendimento consiste de identificar, na “Suíte para os Orixás” composição musical para sexteto e orquestra de cordas, considerada como exemplo de performance, corpo e imaginário na composição musical, ações de cunho musical, mas que também extrapolam a teoria normalmente utilizada em música, e que sejam aspectos que correspondem em similaridade, a “ação verbal” no que diz respeito ao nível de interpretação do texto musical e “ação vocal” no que diz respeito à performance. Luís Otávio Barata: uma performance política no Pará Michele Campos de Miranda Mestranda/Unirio – atriz e pesquisadora Palavras-chave: performance política; corpo; Luís Otávio Barata; Belém Luís Otávio Barata, diretor, dramaturgo, cenógrafo, figurinista, jornalista e artista visual paraense, abalou a cena provinciana da cidade de Belém durante três décadas, 1970 a 90. Arte e vida trazidas em sua diversidade humana e seus aspectos políticos perseguem a trajetória do artista, que por fim recriou a própria vida morrendo para o mundo artístico de Belém e sobrevivendo como um anônimo personagem perdido na fuligem sampaulina. Como norte teórico desta pesquisa, destacamos os Estudos da Performance e do ritual na cena – tão presentes na obra de Barata – com vistas ao rompimento com o tradicionalismo cultural estático no contexto de Belém; além do uso da estética gay na cena, que analisaremos à luz de Bakhtin, Artaud, Genet e Lyra, dentre outros. Outro elemento marcante em seu processo é a mistura de atores e não-atores em cena como forma intencional de experimentar a partir de histórias e narrativas de vida – a “autoperformance” de Ligiéro (1989) – de travestis, veados, cafetões, ladrões e putas, que provocavam um choque nos padrões e comportamentos considerados morais. Sua cena estabelece princípios éticos e estéticos da homossexualidade e seus preconceitos associada à questão étnica e racial, numa colagem erótica e pornográfica aliada a textos e imagens sacros que, derrepente, explodiam num batuque ao vivo. Blocos Afros: Práticas espetaculares numa cidade transatlântica. Nadir Nóbrega Oliveira UFBA Palavras Chave: Afro descendência. Dança. Etnocenologia A finalidade deste texto é procurar caminhos que dêem visibilidade e expressão a existência de corpos, danças e práticas espetaculares dos blocos afros Ilê Aiyê, Olodum, Male Debalê e Bankoma na cena contemporânea como parte constitutiva da cultura baiana. Minhas indagações partem do problema que constato de que apesar da presença dos blocos afros em Salvador as suas danças ainda não são contempladas significativamente pela academia como parte constitutiva da cultura baiana. O texto traz a baila o meu próprio percurso de desenvolvimento como pesquisadora, dançarina, professora negra e baiana, sim senhor! Yemanjá Ogunté é um Orixá - divindade ancestral que representa a fusão dos elementos naturais da água e da terra e está relacionada com o Orixá Ogum.
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