Qui, 09 de Setembro de 2010

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GT Enredos e Rodas Imprimir E-mail
GT Enredos e rodas

GT  Enredos e rodas

Local: Espaço Vinho/ Prédio do Curso de Teatro/ EBA

Coordenadoras: Eliene Benício Amâncio Costa (UFBA) e Isa Maria Faria Trigo

(UNEB)

 

 

 

 

 

Samba de roda de São Félix e Cachoeira: uma tradição da modernidade sob um ponto de vista etnocenológico

 

Daniela Amoroso

Integrante do Grupo Botequim de Samba/ Salvador / Doutoranda PPGAC/UFBA

UFBA

Palavras chave: samba-de-roda;etnocenologia;dança 

 

      O presente trabalho trata do samba de roda de Cachoeira e São Félix a partir de um olhar etnocenològico. A contextualização do sujeito, a pesquisa de campo e a pràtica foram os elementos  utilizados para construir esse ponto de vista. Entende-se que o samba de roda constitui uma das matrizes estéticas da dança e da mùsica brasileiras e que, compõe, o conjunto das 'tradições da modernidade' no Brasil. A noção de Diàspora contribui aqui para investigar experiências do samba de roda enquanto forma estética brasileira  nascida na encruzilhada de memòrias e heranças africanas e portuguesas.  

 

 

 

 

 

Palhaçaria: dramaturgia da arte do palhaço

 

Demian Moreira Reis

Mestre e Doutorando em Artes Cênicas UFBA

UFBA

Palavras-chave: Palhaço, dramaturgia e espetáculo

 

Nesta comunicação pretendo lançar uma definição de palhaçaria como a dramaturgia da arte do palhaço. Para isso desenvolvo uma definição do palhaço. Não tenho a pretensão de falar de nenhum palhaço em especial, caracterizar nenhum momento histórico em particular. Trata-se de uma iniciativa de estudar a arte dos palhaços a partir da descrição de seus dinamismos dramatúrgicos. Explicitar diferentes estratégias, princípios e dispositivos específicos da palhaçaria. Esta pesquisa de doutorado pode ser vista como um primeiro esforço de focar na palhaçaria, enfatizando o seu valor dramatúrgico. Não há por hora a pretensão em desenhar uma teoria da palhaçaria ou da técnica do palhaço porque acredito que este seria um eco do impulso colonizador que tenta reduzir os fenômenos a um “estado puro” ideal. Prefiro acreditar na complexidade e diversidade cultural da palhaçaria. Mas eu me permito formular discussões teóricas e propor ferramentas conceituais úteis para pensar a palhaçaria e incentivar novos pensamentos e enriquecer um debate que acumula cada vez mais incertezas.

 

 

 

 

 

A dramaturgia do circo-teatro encenada em São Paulo entre 1927 e 1968

 

Eliene Benício Amâncio Costa

Professora / Doutora

Universidade Federal da Bahia

Palavras-chave: Circo-teatro, dramaturgia, encenação

 

A pesquisa da dramaturgia do circo-teatro encenada em São Paulo, entre 1927 e 1968, está sendo possível após o levantamento realizado por mim no Arquivo Miroel Silveira, na Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes de São Paulo. Neste arquivo estão devidamente catalogadas 1088 peças de circo-teatro, as quais fazem parte dos 6.500 processos de censura prévia ao teatro, documentação resgastada pelo professor Miroel Silveira em 1988, da Divisão de Diversões Públicas do Estado de São Paulo.  Nesta pesquisa o meu interesse é fazer uma amostragem dessas peças, levando em consideração os autores e peças mais encenadas, assim como a diversidade dos gêneros (comédias, dramas, melodramas, farsas, burletas, esquetes etc.). Esta fase da pesquisa faz parte do meu projeto de pós-doutorado “O trânsito entre o Circo e o Teatro: a construção da dramaturgia do circo-teatro brasileiro”, que está sendo realizado por mim na UNESP, São Paulo, sob a supervisão do Prof.Dr. Mário Bolognesi. 

 

 

 

 

 

Enigmas da santidade: uma leitura antropológica da dramaturgia de Qorpo-santo

 

Eva Beatriz Holland

Mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – PPGAS

Universidade Federal do Paraná – UFPR  

          A proposta deste trabalho é estabelecer as relações existentes entre a narrativa da dramaturgia do escritor gaúcho Qorpo-Santo (1829-1883) e o chamado “Teatro do Absurdo”, que teve sua expressão na França a partir da metade do século XX. Apresento as dificuldades que encontro ao fazer uso da dramaturgia para analisar uma proposta cênica para o século XIX, na qual pedofilia, homossexualismo e poligamia, baseadas em relações de parentesco reais e ficcionais, seriam expostos no palco sob o formato de personagens que se transformam ou desaparecem em um enredo ao mesmo tempo confuso e inovador. Passo a considerar o processo narrativo que se manifesta através da performance da linguagem, e que se constitui num campo propício para a interpretação da obra através das noções de drama social e processo ritual, conforme Victor Turner. Entendendo a monomania como um “comportamento espetacular” e analisando a noção de corpo presente em Qorpo-Santo, busco na Etnocenologia elementos que me auxiliem a decifrar os enigmas da santidade contidos nestes textos teatrais.

 
 
 

 

O sobrado: o comportamento espetacular do gaúcho transposto para a cena

 

Inês Alcaraz Marocco

Professor de Direção Teatral e Diretora Teatral  / Doutorado

Departamento de Arte Dramática/Instituto de Artes/UFRGS

Palavras-chave: Cultura gaúcha, Criação artística, Etnocenologia

 

A literatura é uma fonte inesgotável em material histórico e antropológico que nos permite estudar na essência uma determinada cultura.Erico Veríssimo, na sua obra O Tempo e O Vento, retrata a história do Rio Grande do Sul através da saga de duas famílias os Terra e os Cambará.Através da descrição das situações e dos personagens visualizamos alguns princípios que caracterizam o comportamento do homem gaúcho.Percebemos também que o contato com a natureza e a constante situação de guerras moldou o comportamento dos homens e mulheres desta terra,diferenciando-os das demais regiões do país. Através da pesquisa realizada no meu doutorado, na perspectiva da Etnocenologia, sobre a questão do espetacular na cultura gaúcha, percebi que alguns comportamentos do homem campeiro eram recorrentes independentemente do contexto em que se encontrasse de trabalho, lazer ou de rotina. E que alguns desses princípios desses mesmos comportamentos são contemplados no romance, descritos por Erico Verissimo. Na criação artística sobre um fragmento da obra de Erico Veríssimo, intitulado O Sobrado, buscamos resgatar o comportamento espetacular do homem gaúcho através de um trabalho prático enfocado na Máscara Neutra e nos elementos da natureza, segundo o sistema pedagógico de Jacques Lecoq.

 

 

 

 

 

O que não se aprende no colégio: samba de roda e sua transmissão

 

Isa Maria Faria Trigo

Professora Doutora Titular / Professora Universitário/Diretora teatral

UNEB - UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

 

Aquilo a que nos acostumamos a pensar como Artes Cênicas nos legou um modelo consagrado de especialidades técnicas que produzem beleza reconhecível. Mas há, nos modos de fazer costumeiros, (modos de fazer organizados como técnicas, mas não necessariamente considerados técnicas para produzir beleza), possibilidades outras. Possibilidades essas de criação e de relação simbólica que só se podem revelar no instante efêmero das ações compartilhadas, nas quais a beleza como ideal estético pode ou não ser um motivador, um indutor, ou mesmo uma porção residual. Não obstante, nelas se forjam conteúdos simbólicos de extrema potência, sejam agregadores ou desagregadores, cuja beleza está na força transformadora inapelável, quer esta opere de forma arrasadora, quer de forma constante e imperceptível nas dobras do cotidiano. Neste contexto, busca-se refletir sobre as práticas cotidianas de transmissão de conhecimento do samba de roda do Recôncavo, a partir de material filmográfico e de entrevista realizados com seus criadores.

 

 

 

 

 

Édipo na TV: Guarnieri e as possibilidades de um teatro impossível

 

Jerônimo Vieira de Lima Silva

 Professor de Artes Cênicas / Msc. Literatura e Cultura

UFPB

Palavras-chave: Dramaturgia; teledramaturgia; cinema

 

Este artigo pretende apontar, através da versão da tragédia Édipo-Rei de Sófocles, feita por Gianfrancesco Guarnieri e Fernando Peixoto para a TV, aspectos políticos e sociais presentes tanto no texto clássico sofocliano quanto no teledrama dos dramaturgos brasileiros, uma vez que, em ambas, tais aspectos são fundamentais para o pleno entendimento da estrutura textual de cada uma das referidas obras. Não por acaso, o mito edipiano, transformado em texto trágico em pleno apogeu da sociedade grega (Sec.V a.C), a qual foi considerada a “tragédia perfeita” por Aristóteles, põe em discussão aspectos relevantes de conduta daquele novo homem helênico. Por outro lado, redimensionando o mesmo mito e dando-lhe uma nova roupagem, encontra-se o Édipo brasileiro, inserido no contexto político-social referente ao nordeste do país. Deste modo, Guarnieri e Peixoto possibilitam um olhar agudo à problemática sertaneja quando a mesma era considerada tabu para o regime político e ideológico do período, a saber, os anos de 1970, quando o Brasil estava sob o domínio do poder militar.

 

 

 

 

 

Transposição da linguagem coreográfica dos salões para os palcos

 

Jomar Mesquita

Professor/Coreógrafo /Graduado

Associação Cultural Mimulus

Palavras-chave: dança de salão, dança cênica, dança contemporânea

As danças de salão passaram por um processo de profissionalização com inúmeras transformações nas últimas décadas. A partir do momento em que os bailes populares passaram a ser frequentados pela classe média, a maneira como os originais dançarinos ensinavam e exibiam sua arte nos salões, começou a sofrer várias modificações. Inicia-se: o surgimento de escolas com um ensino sistematizado; diversas mudanças nos bailes e seus rituais; a busca por inovações e por um caminho para efetuar a transposição da linguagem coreográfica dos salões para os palcos como fazer artístico; a contaminação sofrida por influência de outras modalidades de dança.

     Hoje vivemos o momento em que se forma e se consolida o que alguns críticos de dança passaram a denominar “dança de salão contemporânea”. Muitos erros são cometidos nesta transposição do salão ao palco, nesta transformação do que era entretenimento e lazer popular para um espetáculo de dança de cunho artístico. Mas ao mesmo tempo, obras inovadoras e de qualidade inquestionável são convidadas a serem apresentadas nos mais importantes festivais de dança contemporânea ao redor do mundo, com grande sucesso de público e crítica, tirando o estigma de amadorismo e cafonice que o estilo carregava. Ocorrem perdas na cultura popular dos salões, simultaneamente a um crescimento artístico de suas manifestações cênicas.

 

 

 

 

 

 

A construção de um texto cênico a partir da narrativa visual de Frida Kahlo

 

Lilih Curi

Mestranda do PPGAC/UFBA, atriz e performer 

UFBA

Palavras-chave: imagem, construção narrativa, narrativa visual, performance, performer, ator-criador

 

O texto cênico em questão configura-se uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Cláudio Cajaíba Soares, que consiste num estudo das relações entre seus elementos constituintes – imagem, construção narrativa e performance. O estudo parte do espetáculo multimídia “Yo soy o que a água me deu Frida”, do Teatro das Epifanias (SP). A obra constrói uma narrativa por meio de imagens e textos não-dramáticos criando relações entre Imagem e Performer,  Imagem e Encenação, Imagem e Público. A relação Imagem e Performer é tratada neste Colóquio: as imagens da obra pictórica da mexicana Frida Kahlo são matéria prima do performer, o lugar onde ele bebe, se alimenta, e a partir das quais ele cria. Fala-se do corpo deste artista como mídia primária, e discorre-se sobre os aspectos narrativos-expressivos deste artista contemporâneo considerando sua historicidade, treinamento, experiência técnica e artística: o corpo que fala, o corpo que narra. Por fim, discute-se o que o performer produz cenicamente como construção narrativa na relação entre a poética (de Frida), o corpo e o corpo-espaço-tempo: toma-se o performer como artista-criador, e mais especificamente como autor.

 

 

 

 

 

Multiplicidade de vozes e discursos na obra Pinocchio do Giramundo Teatro de Bonecos

Luciano Flávio de Oliveira

Mestrando em Teatro pela UDESC; Especialista em História da Cultura e da Arte pela UFMG (2007) e Bacharel em Direção Teatral - UFOP

UDESC

Palavras-chave: Giramundo Teatro de Bonecos – Pinocchio – multiplicidade de vozes e discursos.

 

Objetiva-se levantar e analisar as múltiplas vozes presentes no espetáculo teatral Pinocchio, do grupo belohorizontino Giramundo Teatro de Bonecos. Para tanto, observa-se como se dão as relações entre as diferentes instâncias discursivas quando se utilizam, neste espetáculo, diferentes técnicas de construção e manipulação de bonecos. Partindo da premissa que a linguagem teatral em si é polifônica, inter e transdisciplinar, o teatro de animação também é. Desta forma, Pinocchio é repleto de vozes que dialogam entre si – recorre-se, por exemplo, a linguagens artísticas como o vídeo e o cinema de animação – sendo, portanto, polifônico. Por fim, o presente artigo tem como premissa indicar em quais pontos essa polifonia aparece de forma mais explícita e subjetiva, partindo da teoria bakhtiniana dos gêneros discursivos. 

 

 

 

 

 

24 de Julio 1967: A reconstituição imaginaria de uma performance

 

Marios Chatziprokopiou

Doctorant en Ethnoscénologie (Université Paris8), vidéaste. 

Paris VIII

Palavras-chave: Performance, evento, memoria, reconstituição, imaginario, antropologia, documental.

 

France, été 1967. Dans un terrain vague près de Saint-Tropez, une troupe dirigée par l’artiste Jean-Jacques Lebel présente la pièce surréaliste de Pablo Picasso Le désir attrapé par la queue. Après chaque représentation, le groupe psychédélique des Soft Machine monte sur scène. Artistes et public sont invités à participer à des happenings.

      Les participants de cet événement d’art éphémère déclarent qu’ils n’ont volontairement pas laissé de traces. Il n’en reste que peu d’indices matériels, et les souvenirs des témoins vivants : des morceaux déformés, incompatibles, d’un puzzle perdu pour toujours.

      L’anthropologue, dont le savoir repose sur sa présence sur le terrain, peut-il comprendre une performance qu’il n’a pas vécue? Ce manque m’a demandé une quête heuristique, semblable à celle des archéologues, mais en renonçant à la vérité historique. Incapable d’interpréter a priori, j’ai tenté la reconstitution imaginaire d’une soirée de l’été 1967, sous forme d’un récit anthropologique et d’un court métrage documentaire.

      Vu la distance qui sépare toujours le moment de l’expérience de celui de l’écriture ou du montage, les reconstitutions écrites ou visuelles des performances qu’on vit sont-elles moins imaginaires ? Et quelles sont les limites des mots et des images quand l’objet d’étude est la vie ?

 

 

 

 

 

ABC de João Augusto, a interpretação dos atores do teatro de cordel produzido em Salvador, Bahia entre 1966 e 1978

 

Marconi de Oliveira Araponga

Mestrando

UFBA

Palavras-chave: Interpretação teatral, teatro de cordel, treinamento do ator

 

A pesquisa ABC de João Augusto, a interpretação dos atores do teatro de cordel produzido em Salvador, Bahia entre 1966 e 1978. Por Marconi Araponga, mestrando do PPGAC/UFBA, ator, professor, diretor e produtor de espetáculos. No período descrito no título, João Augusto (diretor, ator e professor da Escola de Teatro da UFBA), produziu oito espetáculos adaptados de folhetos da literatura de cordel, recorte da nossa pesquisa. Esta forma teatral até então pouco usual em Salvador, tornou-se constante nos palcos soteropolitanos e encontra a atuação dos atores, nosso objeto de estudo, amplamente baseada nos tipos populares nordestinos. A nossa proposta está ancorada em entrevistas com os intérpretes mais recorrentes dos espetáculos, nas quais se buscarão apurar o treinamento para a cena quanto ao corpo, à voz, à improvisação e ao ritmo. Este exame sobre a arte da representação no teatro de cordel busca ir fundo nesses aspectos e em outros que se mostrem importantes e que venham interferir no trabalho do ator, este que é a peça mais importante da forma teatral plantada em nossa cultura cênica desde a década de 1960 e que se mantém vigorosamente na vida cultural da capital baiana em pleno século XXI.

 

 

 

 

 

A condição do corpo no cruzamento das manifestações circenses e teatrais

 

Marcos Francisco Nery Ferreira

UNESP

Mestrando em Artes Cênicas, UNESP, ator e acrobata

Palavras-chave: Ator, Circo, Técnicas corporais

 

      No final do século XIX, no Brasil, a chamada tradição apostava no intercâmbio e no convívio entre artistas e gêneros, que logo resultaram em grandes transformações do espetáculo e a consolidação da aproximação entre o palco teatral e o picadeiro circense. Os artistas circenses foram ampliando o leque de apropriação e divulgação dos gêneros teatrais e de outras manifestações artísticas inaugurando a idéia dos circos-teatros. Por outro lado, o universo das manifestações, teatrais, a necessidade de um ator com virtuose técnica, sentido absoluto de ritmo, agilidade corporal e precisão ganha força e se faz presente desde os saltimbancos dos teatros de feira e dos cômicos dell’arte, tornando-se, também, um ponto indispensável nos trabalhos de alguns encenadores do século XX.

      Diversos são os caminhos, contudo, que podem ser adotados quando se menciona os procedimentos criativos e técnicos do ator. Como aponta Mauro Meiches e Sílvia Fernandes: “Nenhuma criação pode ser operada sem uma técnica, que não se separa do treino, do processo de criação e do resultado observável na carreira teatral de um artista”. É justamente nesta condição que se dá a passagem de um corpo “comum” para um corpo “diferenciado” via um treinamento específico. Os saberes circenses, portanto, são apropriados pelo ator e se constitui como técnica corporal aprimorando sua capacidade expressiva.

      A partir deste universo, o artigo pretende apontar os aspectos relativos ao treinamento corporal através dos saberes circenses e teatrais.

 

 

 

 

 

Quem conta um conto, (re)inventa um tempo

 

 

Luiz Carlos Costa Sarto

Graduando em Artes Cênicas / Bacharelado

Universidade Federal de Ouro Preto

Diretor/Ator

 

Ricardo Carvalho de Figueiredo

Mestre

Universidade Federal de Minas Gerais

Professor/Diretor

 

      A presente pesquisa – oriunda do Projeto de Extensão Universitária “Teatro e Memória na 3ª Idade” desenvolvida na Universidade Federal de Ouro Preto durante o ano de 2009 – investiga o conceito de memória/esquecimento em relação à formação cultural do sujeito. Temos utilizado como procedimento de trabalho o “depoimento pessoal” em oficinas que focam a acumulação de um “capital cultural” e toda sua influência na constituição do comportamento humano e suas apropriações do espaço.

      O estudo encontra-se em processo e em constante transformação, dada a natureza das experiências individuais e experimentações coletivas do projeto, que resultam numa lúdica teatralidade das vivências e memórias dos participantes.

 

 

 

 

 

A interpretação cômica da Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes

 

Roberta Cristina Ninin

Atriz / arte-educadora / mestranda  

Instituição: UNESP 

Palavras-chave: comédia brasileira, preparação do ator, personagem cômica 

 

A Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes, idealizada por Ednaldo Freire e Luis Alberto de Abreu, busca por uma linguagem comunicativa, que contemple o universo cômico popular brasileiro. Contemplada por projetos artístico-culturais desde a sua formação em 1993, a Cia tornou-se uma referência do teatro brasileiro contemporâneo, tendo em vista – principalmente a partir de sua segunda fase do Projeto Comédia Popular Brasileira, intitulada Comédia Épica - a participação ativa do público perante o fenômeno teatral.

A Cia referencia-se nos estudos de Mikhail Bakhtin, nas obras de Rabelais, aproximando-se das formas populares de representação presentes: nas danças populares brasileiras, nos autos e nas narrativas cômicas, no circo-teatro e no teatro de revista. Em sua trajetória, o personagem brasileiro foi representado por tipos fixos, por heróis guerreiros (inspirados em personagens das festas populares medievais) e, recentemente, por atores saltimbancos que se apresentam com seus elementos de cena essenciais e, empregando a narrativa, se multiplicam em inúmeros personagens.

A partir das referências teóricas abordadas - Mikhail Bakhtin, Vladimir Propp, Dario Fo, Brecht - e privilegiando a abordagem cômica das três fases da Fraternal Cia, minha pesquisa refere-se ao estudo da interpretação cômica e popular concretizada simbolicamente na concepção das personagens da Fraternal Cia de Arte e Malas-Artes.

 

 

 

 

 

Jogando no Quintal: investigações acerca do improviso e do cômico

 

Thaís Carvalho Hércules

Mestranda /  atriz / arte-educadora

IA-UNESP

Palavras-chave: Improvisação, palhaço, jogo teatral, comicidade

 

O grupo paulistano Jogando no Quintal articula em seu trabalho a linguagem do palhaço e a improvisação como condição para realização do espetáculo. Dois times de palhaços disputam jogos diversos no “espetáculo-partida”. Cabe a plateia sugerir temas que servirão como mote para as improvisações e decidir ao final qual time desenvolveu melhor o jogo. Esta proposta, oriunda das experiências dos matchs de improvisação, conhecidas amplamente na Europa e na América Latina, tem crescido na última década no Brasil. No caso particular do Jogando no Quintal, o espetáculo lança questões a serem investigadas no âmbito acadêmico e para a cena contemporânea tais como: de que maneira se dá a articulação da linguagem do palhaço e a improvisação, a relação entre comicidade e improvisação, a explicitação do uso de jogos teatrais em cena, a participação do espectador na construção do espetáculo, o esporte (futebol) como um elemento estético. Como resposta a estas questões têm sido realizadas entrevistas com os atores e o acompanhamento de ensaios e apresentações. A pesquisa adota como referências teóricas os trabalhos de Keith Johnstone sobre improvisação, as obras de Richard Courtney, Viola Spolin, Ingrid Dourmien Koudela sobre o jogo, John Wright que aborda a questão do ator-improvisador e Jacques Lecoq que é uma referência na formação dos palhaços do Jogando no Quintal.  

 

 

 



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