Qui, 09 de Setembro de 2010

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GT Coros e parentes Imprimir E-mail
GT Coros e parentes

GT “Coros e parentes”

Local: Espaço Laranja/ Prédio do Curso de Teatro/ EBA

Coordenadores: Jorge das Graças Veloso (UNB) e Gilberto Icle (UFRGS)

 

 

 

 

 

Oralidade, escrita e encenação: uma breve análise sobre o Auto de Floripes (Príncipe-África) e a Luta de Mouros e Cristãos (Prado-Bahia-Brasil)

 

Alexandra Gouvêa Dumas

Mestre em Artes Cênicas- PPGAC- UFBA / Atriz e professora de teatro 

UFBA / Paris X

Palavras-chave: Oralidade, Encenação, Mouros e Cristãos, dramas carolíngios.

 

Este texto faz uma breve análise sobre duas manifestações de temática comum, denominadas carolíngias por serem oriundas do livro “História do Imperador Carlos Magno e dos doze pares de França”. São elas: a “Luta de Mouros e Cristãos”, de Prado-Bahia-Brasil e o “Auto de Floripes”, de Príncipe, da República de São Tomé e Príncipe, na África. O foco de observação está sobre a mixagem de linguagens que ocorre nestas manifestações no que tange a oralidade, a literatura e a encenação.

Na tentativa de compreender processos de construção, transmissão, perpetuação e atualização de conhecimentos tradicionais, este texto parte do tema Oralidade, tendo como foco de observação a confluência de linguagens oral, escrita e cênica entre dois folguedos. O Auto de Floripes e a Luta de Mouros e Cristãos são frutos desta interseção de linguagens, seja corporal e comunicacional. Desta maneira que, credito à natureza das narrativas carolíngias, com sua disponibilidade para o trânsito inter-linguístico e sua condição de exercitar uma tradicionalidade dinâmica, a sua permanência no mundo contemporâneo.

Por isso que acrescento à Oralidade e à Escrita, a Encenação como código linguístico de representação significativa nos estudos carolíngios por pensar que a potência estética destas manifestações implica um corpo que não só vê e lê escrituras, ouve e fala narrativas, mas que também dedica seus sentidos para ampla percepção, captação e recriação destas histórias.  

 

 

 

 

 

Na trilha luminosa de uma estrela: Folia em experimento

 

Barbara de B. A. Lito de Almeida

Mestre Instituição / Atividade: documentarista

PUC-RIO

Palavras-chave: Cultura popular; cinema; oralidade; Folia de Reis; interdisciplinaridade.

 

Este trabalho é fruto de um experimento realizado durante o mestrado, que propôs uma estrutura de tese-roteiro sobre as Folias de Reis – tradição que permanece viva e em constante integração à cultura contemporânea. Buscando realçar suas dimensões narrativas – verbal, performática, histórico-mítica e sócio-política – e explorar sua interdisciplinaridade, tal roteiro foi desenvolvido na tensão entre criação artística e produção crítico-conceitual. Os componentes da Folia são principais intercessores na cine-escritura, num movimento de tornar-se outro – na frente ou atrás das câmeras – impulsionado pela potência dos encontros. O diálogo entre as fabulações permite a invenção de um espaço-tempo imaginários, criados na tensão entre o presente – a apresentação das Folias – e o passado – o mito da natividade. O resultado é um filme, onde o gesto tornou-se o lugar da experiência e a imagem não delineia os limites que separam o corpo do mundo, mas ressalta a fronteira que os articula. O corpo, impessoal e pré-individual, engendra um entre-lugar que, por vezes, mistura-se ao mundo que o cerca. O filme, então, transforma-se num ritual, experimentando a relação entre o microcosmos de gestos – que se fazem corpo no ato de encenação do mito – num macro-cosmos, que transforma esse corpo-gesto, cosmogonicamente imagético, numa nova visualidade.

 

 

 

 

 

A dramaturgia do personagem caboclo Carina Maria Guimarães Moreira

 

Carina Maria Guimarães Moreira

Mestranda / Diretora Teatral

UNIRIO

Palavras-chave: Performance, Umbanda, Caboclo, Personagem, Dramaturgia.

 

O presente trabalho, integrante da pesquisa de mestrado Salve o Rei do Movimento: a performance do caboclo no ritual da Umbanda de Barra do Piraí-RJ, propõe analisar o Caboclo como “personagem”. Fazê-lo constitui compreender o sentido de “personagem” e de dramaturgia de forma mais ampla. A dramaturgia do personagem Caboclo tanto pode ser entendida como o conjunto de narrativas expressas pelos participantes da Umbanda e entidades, como também pelos pontos cantados. Ao voltarmos nossa atenção para a performance do ritual podemos entendê-la como uma construção a partir das ações físicas desenvolvidas pelos personagens. Nessa perspectiva, a dramaturgia é entendida como trama, tecido, trabalho de ações.

Essas qualidades da trama estão ligadas ao teatro estético, que pode dispor de um “texto previamente escrito” base para encenação. Este pode ser transmitido independente da encenação, já o “texto da representação” só vai se formar ao fim de um processo de trabalho e não pode ser transmitido como o escrito. Tais qualidades suscitam uma série de discussões a cerca do teatro “tradicional” e “novo”, entre o “texto da representação” e o “texto composto a priori”, que Barba defende ser antes de uma contradição uma “situação complementar, uma espécie de oposição dialética” onde o prejuízo que pode acontecer é a perda de equilíbrio entre o pólo de concatenação e o pólo de simultaneidade.

 

 

 

 

 

Um olhar etnocenológico dos festejos de Pascoela na Baía de Todos os Santos

 

Célia Conceição Sacramento Gomes

Psicodramatista

Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira – AMAFRO

Palavras-chave: cultura afro-baiana; etnocenologia; danças das tradições populares

 

A comunicação aborda os festejos em louvor a Nossa Senhora da Penha e a São Benedito, na localidade da Penha - Ilha de Itaparica. As práticas rituais católicas e a produção coreográfica das rodas de samba, o gestual e o figurino dos participantes do evento fornecem dados sobre a dinâmica da festa, que remete às vinculações dos participantes com a cultura, suas representações e tradições. As formas de construção dessas práticas culturais são baseadas nas matrizes formadoras da comunidade e nas diversas influências que permeiam os discursos produzidos por esses agrupamentos humanos no seu cotidiano, especialmente suas práticas corporais, manifestações artísticas e culturais. A etnocenologia destaca como um princípio a abordagem transdisciplinar, que a aproxima de outras áreas do conhecimento; esse caráter permite que os praticantes da cultura falem do lugar onde seus saberes são produzidos: o corpo que se organiza para o espetáculo rememora no presente as histórias vividas e aprendidas no passado e que se reafirmam numa espécie de jogo que transcende a realidade.  

 

 

 

 

 

A escuta perfumada: o memorial da pomba-gira face à passagem da memória: teatralidade e rito

 

Clóvis Domingos dos Santos

Diretor teatral e performer.

UFMG

Palavras-chave: Pomba-gira. Dor feminina. Teatralidade.

 

O Obscena - agrupamento independente de pesquisa cênica - investiga experimentos performativos que têm como referência a invenção e construção dos gêneros (especialmente a mulher) e que propõem a revisitação e reterritorização das relações entre o teatro e o espectador, o público e o privado, a teatralidade e a sociedade do espetáculo. A criação se dá em rede colaborativa, em que as experimentações se retroalimentam através não só do diálogo constante entre os pesquisadores envolvidos, mas também da participação do espectador/colaborador. Dentro do projeto “Às Margens do Feminino: texturas teatrais da beira” optamos pelo tema da pomba-gira e o feminino marginalizado na umbanda. A pomba-gira, como se apresenta, desnaturaliza e tensiona as construções sobre o feminino numa sociedade machista e patriarcal. Dois procedimentos mágico-espetaculares são pesquisados em nosso recorte temático: a escuta das confissões de dor e amor das mulheres e a atualização do cerimonial da pomba-gira no “evento” dessa escuta. Dessa forma desejamos relatar a experiência de convidar mulheres anônimas da cidade de Belo Horizonte para relatarem suas dores e perdas no espaço de um edifício teatral, mais especificamente o banheiro feminino. Utilizando elementos como perfume e champanhe, o performer realiza a escuta das confissões femininas e questiona fronteiras como teatralidade, ritual, memória e experiência artística e religiosa.

 

 

 

 

 

O corpo e a voz das Orações da Noite: os limites de uma análise etnocenológica sobre um fenômeno religioso

 

Cristiano de Araujo Fontes

Doutorando - PPGAC – UFBA / Mestre em Artes Cênicas  - PPGAC– UFBA

Palavras-chave: Etnocenologia, Espetacularidade, Rito Religioso, Comunidades.

 

Este texto visa abordar um assunto que foi tema central de minha própria pesquisa de mestrado, no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – PPGAC, pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. Não é necessariamente um resumo e nem um material de divulgação dos resultados, sendo muito mais um meio de encaminhar questões e problemas ligados ao campo das artes cênicas, principalmente, circunscrito nos temas da etnocenologia, da espetacularidade e da teatralidade da vida social. A pesquisa sobre as Orações do Terço de Nossa Senhora na comunidade do Salgado Grande, intitulada como As Orações da Noite, é chamada, aqui, a dar sua contribuição ao fenômeno da espetacularidade ligado a um rito religioso encarnado numa prática coletiva de uma comunidade. Por um lado se buscam delinear, sem exaurir, os limites teóricos do horizonte interpretativo do atual campo de pesquisa e conhecimento da etnocenológica. Por outro, a partir de tais limites, horizontes, buscam-se apreender e compreender a prática do terço quanto às suas referências constitutivas, as relações de co-pertencimento entre as partes e o todo e as expressões estéticas – matrizes estéticas – reveladoras de um modo de ser em comum. E, por fim, busca situar o praticante, agente de ação da prática ritualística, como poeta da tradição, assumindo-a e (re)interpretando-a. Assim, o pequeno texto, em forma de artigo, soma-se, também, às outras contribuições endereçadas ao VI Colóquio Internacional de Etnocenologia, sediado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.

 

 

 

 

 

Corpos, (in)disciplina e corações em festa na procissão do Sagrado Coração de Jesus em Laranjeiras – SE

 

Emanuel Santos de Araújo

Mestrando em Desenho, Cultura e Interatividade pela Universidade Estadual de Feira de Santana. 

UEFS

  Palavras-chave: Etnocenologia, Corpo, Poder

 

Este trabalho tem como objetivo analisar a performance e a memória social articuladas na festa do Sagrado Coração de Jesus, na cidade sergipana de Laranjeiras. Contemplando o cenário da festa, a espetacularidade dos corpos numa situação de transgressão da disiciplina hegemônica, pretendemos estabelecer diálogo com o objeto de estudo da etnocenologia. A complexidade desta nova perspectiva de corpo, nas suas múltiplas dimensões, nos permite analisar os conflitos, as estratégias e mediações que se manifestam durante o cortejo. A participação de diversas comunidades culturais na procissão conferem a esta prática espetacular organizada, um ambiente onde se encontram vários saberes, que reclamam através do corpo a sua visibilidade no espaço da festa.

 

 

 

 

 

Um olhar sobre a quadrilha no Acre: transfiguração de uma festa

 

Valeska Alvim; Andréa Favilla Lobo; Flávio Lôfego Encarnação

Mestranda em Artes – UNICAMP. Professora  do Curso de Artes Cênicas;  Doutoranda em Educação – UFMG. Professora do Curso de Artes Cênicas;  Bacharel em Direção – UNI-RIO. Professor do Curso de Artes Cênicas

UFAC

 

O presente trabalho, é fruto das ações do Núcleo de Estudos em Artes Cênicas e Música da UFAC e discute questões a respeito da espetacularidade das quadrilhas realizadas no Acre e seus impactos  na produção artística local. Para tanto, lançamos sobre esse evento o olhar da etnocenologia, esta nova etnociência que se propõe a estudar as artes do espetáculo e os comportamentos humanos espetaculares organizados. Identificamos e descrevemos os elementos constitutivos dessas manifestações, seus personagens recorrentes, como parte  de um processo, em que tempo e espaço possuem um sentido próprio, ressaltando sua dimensão espetacular e destacando seus aspectos lúdicos e cômicos.

 

 

 

 

 

Coincidências elementares nos objetos etnocenológicos

 

Frederico Ramos Oliveira

Pesquisador / Ator / Cambono

EBA - UFMG

 Palavras-chave: psicofísica, objetos etnocenológicos, gnosiologia, ator, ritual

 

Exponho aqui o uso de noções em Etnocenologia na investigação de relações entre o trabalho de ator e outros tipos de performance. Esses movimentos de conexão e diálogo promoveram a compreensão de coincidências elementares nos fenômenos estudados. Para tanto, explorei as noções propostas por Bião para ajudar a distinguir em mim os objetos etnocenológicos. Sem excluir os entornos, foquei o que me funciona do Sistema Stanislavski como objeto substantivo, minha vivência ritualística umbandista como objeto adjetivo, o estudo psicanalítico do meu comportamento cênico cotidiano como objeto adverbial e a reflexão gnosiológica que acompanha essas experiências como objeto infinitivo. A compreensão de um objeto iluminou o entendimento de outros. Com mais idéias etnocenológicas orientei as descrições, análises, sínteses, os aportes teóricos e o resgate e registro da experiência prática. Assim, ampliei a compreensão de coincidências elementares nos objetos: vontade, engajamento, acionamento e a sinceridade/credibilidade/fé acionando sistemas que funcionam de forma equivalente em todos os objetos: os processos (voluntários ou não) de objetivação e subjetivação, nos quais interagem substâncias concretas (corpo, espaço, luz, voz) e abstratas (falas, histórias, arquétipos, códigos de conduta, ideologias). Esses tratamentos ampliaram meu conhecimento psicofísico desses e nesses fenômenos.

 

 

 

 

 

Estudos da presença, afiliações de parentesco com a etnocenologia

 

Gilberto Icle

Graduado em Artes Cênicas / Mestre e Doutor em Educação pela UFRGS / Ator e diretor da Usina do Trabalho do Ator / Coordenador do Grupo de Estudos em Educação, Teatro e Performance / Professor do Programa de Pós-graduação em Educação da UFRGS / Pesquisa financiada pelo CNPq 

UFRGS

Palavras-chaves: Teatro. Pedagogia Teatral. Estudos da Presença. Etnocenologia. Pradier, Jean-Marie. Foucault, Michel.

 

Este trabalho procura caracterizar os Estudos da Presença como a pesquisa dos usos do corpo e seus  modos particulares e culturalmente constituídos de chamar a atenção nas práticas espetaculares. Da mesma forma, esses Estudos investigam dimensões culturais e filosóficas da presença como processos de referencialização. Assim, indaga-se sobre as afiliações de parentesco com algumas proposições da Etnocenologia, tal qual especificadas por Pradier e discorre-se sobre uma necessária forma de pensar diferente, a partir das proposições filosóficas de Michel Foucault. Discute-se, então, as tarefas da pesquisa nos Estudos da Presença como modo de ascese contemporânea.

 

 

 

 

 

Ritos religiosos na tradição: corpos em sagração ou artes do espetáculo?

 

Jorge das Graças Veloso

Ator e Professor / Doutor em Artes Cênicas

Universidade de Brasília

Palavras-chave: Ritos religiosos, espetacularidade, etnocenologia

 

Partindo de formulações da etnocenologia, esta é uma reflexão sobre as características de espetacularidade com que tem se consolidado, nos últimos anos, práticas religiosas adjacentes ao catolicismo romano, notadamente no chamado entorno goiano do Distrito Federal. Esta disciplina, criada em 1995, em Paris, propõe a espetacularidade como sendo um estado de organizar-se deliberada e intencionalmente para o olhar de uma platéia, também consciente dessa presença. O que tem caracterizado os ritos observados para a produção desta comunicação, é um distanciar-se cada vez maior do sentido religioso estrito com que, tradicionalmente, eram praticados. Em seu lugar, pelas maneiras de comportamento dos praticantes das congadas, folias, caretadas, cavalhadas, procissões de fogaréu, se sobressai cada vez mais o sentido de espetáculo propriamente dito, muitas das vezes feito inclusive por pessoas sem nenhuma ligação com o fazer de sagração que motivaram suas origens. E é com este caráter, de produção de verdadeiros espetáculos religiosos, que têm se destacado no espectro turístico da região, cidades como Pirenópolis (Cavalhadas), Catalão (Congadas), Trindade (Desfile de Carros de Boi), Cristalina (Encontro de Folias), Planaltina-DF (Paixão de Cristo), Luziânia e Cidade de Goiás (Procissão do Fogaréu).

 

 

 

 

 

Combater o infiel e o pagão cantar e dançar uma derrota

 

Marianna Francisca Martins Monteiro

Doutora em Filosofia (FFLCH-USP) / Professora do Departamento de Artes Cênicas Educação e Fundamentos da Comunicação

Instituto de Artes da UNESP

Palavras Chave: escravidão, congada, guerra justa, dança dramática

 

Guerras, Embaixadas, luta entre Cristão e Mouros à luz da legitimação ideológica da escravidão, discurso que se faz sobre si do ponto de vista do outro. A comunicação que proponho volta-se para aspectos recorrentes nas teatralidades populares brasileiras, especificamente naquelas que Mário de Andrade chamou de Danças Dramáticas Brasileiras. O foco volta-se para as Congadas dramáticas, manifestações que se fizeram presentes nas festas e procissões barrocas ao longo do século XVIII e que ainda hoje são encenadas em festas de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, embora muitas vezes já não se apresentem com os seus entrechos dramáticos. Na Congada dramática interessa, em especial, o tema da guerra, que será analisado a partir de antigas teorias teológico-políticas da Guerra Justa. Os enredos das Congadas dramáticas, bem como a recorrência do tema da guerra nas manifestações populares, de uma maneira geral, serão pensados à luz das justificativas da escravatura, na cultura letrada portuguesa dos séculos XVII e XVIII. Indaga-se, a partir daí, que sentido tem nos dias de hoje a encenação dessa derrota/vitoria, nas festas católicas, na expressão devocional católica de negros e mestiços.

 

Griots africanos: busca de princípios para uma atuação.

 

Ricardo Alexandre Ribeiro Rodrigues

Ator / Graduado em Artes Cênicas pela ECA-USP / mestrado

Instituto de Artes – UNESP.

 

Nesta comunicação, apresento os griots africanos, geralmente conhecidos como músicos e contadores de histórias, situando-os no contexto da tradição oral e do teatro tradicional africano – mais especificamente do oeste africano – e enfocando suas categorias, repertórios e papéis sociais.

A partir de aspectos éticos e estéticos presentes na atuação dos griots, levanto questionamentos, reflexões e princípios que possam inspirar uma atuação artística. Dentre esses princípios, destaco a integração entre teatro, música e literatura; o diálogo crítico, não idealizado, com a memória coletiva, seus sentidos e valores; e a construção de narrativas como meio de expressão artística e de comunicação com o público.

 

 

 

 

 

O Pierrô e a máscara: a espetacularidade do corpo cômico no Boi de São Caetano de Odivelas

 

Silvia Sueli Santos da Silva

IFPA

Palavras-chave: Cultura Popular, Etnocenologia, Máscara corporal, Brincadeira de boi, Corpo cômico, Espetacularidade

 

A presente comunicação descreve o Pierrô, personagem mascarado da brincadeira de boi da cidade de São Caetano de Odivelas e as interfaces desse com os múltiplos corpos cômicos que ele traz em sua espetacularidade, do palhaço ao performe de rua.  Esse outro (o personagem) criado a partir da máscara, constrói outro corpo, que se torna sua referência visual e sua personalidade cênica. A máscara e sua representatividade simbólica estão presentes no imaginário cultural brasileiro, compondo o visual e caracterizando os personagens de muitos folguedos regionais. De forma lúdica, convocando o riso ou de forma cerimonial, convocando o sobrenatural, esse objeto nem é simples, nem tampouco neutro dentro de uma manifestação coletiva de qualquer natureza, seja ela ritual ou eventual. Sua presença no contexto da festa popular transforma o corpo e a expressão de quem a usa. A Etnocenologia oferece um novo campo conceitual para interpretar a máscara enquanto fenômeno portador de um caráter espetacular.

 

 

 

 

 

Um olhar sobre o corpo divinizado no Candomblé da Bahia

 

Suzana Martins

Professora da Escola de Dança e do Programa de PPGAC/ UFBA.

PPGAC/ GIPE-CIT/ UFBA 

Palavras-chave: Corpo; Religião; Ancestralidade; Memória.

 

Essa comunicação aborda, parcialmente, o corpo divinizado no Candomblé, a partir do fenômeno da corporificação. Esse tema poderá ser encontrado, de maneira aprofundada, no meu livro “A Dança de Yemanjá Ogunté[1] sob a Perspectiva Estética do Corpo” (2008).

       A corporificação se dá no momento em que o religioso alcança a união espiritual com o Orixá através do ritual e da cerimônia na festa pública. Os gestos e os movimentos inscritos no corpo num processo intenso e extenso de aprendizagem são internalizados de acordo com os dogmas, os fundamentos religiosos e o arquétipo dos Orixás, sendo transmitidos pelos religiosos mais velhos da comunidade do Candomblé. No processo de corporificação, tanto a dança quanto a música estão intrinsecamente unidas e diretamente integradas ao fenômeno religioso propriamente dito ─ nos rituais e nas cerimônias ─, sendo que essas expressões artísticas são essenciais para evocar os Orixás. Assim, a dança e a música interagem entre si no sentido de que o ritmo se desenvolva em função dos movimentos e gestos, os quais possuem relação direta com a musicalidade da dança do Orixá.

 

 

 

 

 

O ator-dançarino no Boi-de-Mamão

 

Valmor Níni Beltrame

Professor / pesquisador / diretor teatral

Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC

Palavras-chave: Ator-dançarino; Boi-de-Mamão; Técnicas codificadas de longa duração

 

O presente texto resulta das reflexões produzidas na pesquisa “Boi-de-Mamão: tradição das artes cênicas catarinenses” que evidenciou a existência de conhecimentos produzidos pelos homens que atuam no Boi-de-Mamão. O estudo destaca que muitos destes saberes são criados, outros são herdados, constituindo, desse modo, o acervo de técnicas que o ator-dançarino que anima a figura do Boi precisa dominar para atuar no grupo. A continuidade e a preservação da brincadeira do Boi-de-Mamão estão intimamente ligadas à transmissão oral e, sobretudo, à observação da prática, à forma de apresentá-la. O que é transmitido aos aprendizes pode ser compreendido como técnicas ou estruturas materiais ou imaginárias ou ainda como técnicas codificadas de longa duração. Trata-se de um conjunto de bons conselhos transmitidos aos integrantes dos grupos.

 

 

 

 



[1]Yemanjá Ogunté é um Orixá - divindade ancestral que representa a fusão dos elementos naturais da água e da terra e está relacionada com o Orixá Ogum.      

 

 



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