Qui, 09 de Setembro de 2010

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Local: Espaço Vermelho/ Prédio do Curso de Teatro/ EBA

Coordenadores: Maurílio Andrade Rocha (UFMG) e José Simões (Universidade

de Sorocaba e NECCURB–CES)

 

 

 

 

 

Riso: fonte da juventude?

 

Ana Rita Queiroz Feraz

Mestre em Educação

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade / Bolsista da FAPESB

Universidade do Estado da Bahia - UNEB

Palavras-chave: arte, educação, contemporaneidade, riso.

 

O presente artigo discute a utilização do Teatro Espontâneo, de inspiração fenomenológico-existencialista, como método, no projeto de doutoramento em educação, que objetiva o aprender a ser professor, por estudantes de licenciatura da Universidade do Estado da Bahia, a partir da pesquisa sobre o riso de estudantes da Rede Estadual de Ensino. Parte da constatação da ausência de questões relativas à “juventude” na contemporaneidade, nos currículos das licenciaturas, destinados à formação de professores que atuarão nos 6o, 7o e 8o anos, e no Ensino Médio. Considera que o riso desses jovens pode ser indicativo dos seus modos de ser no mundo, e que a experiência da investigação pelo Teatro Espontâneo, poderá possibilitar aprendizagens significativas para o ofício de ser professor. Sua relevância está em estabelecer relações de compromisso, (com)promessa, dos professores com a materialidade da vida escolar, além de incluir irremediavelmente a corporalidade como condição expressiva do ser-aí. Referencia-se nos estudos de Jacob Levy Moreno, Walter Benjamin, Mikhail Bakhtin, Heidegger, Maffesoli, dentre outros.  

 

 

 

 

 

The Pioneering (Wonder) Woman: uma heroína da fronteira americana

 

Arthur Marques de  Almeida Neto

Mestrando em Dança

Pesquisador / Coreógrafo / Bailarino / Professor de dança / Bolsista FAPESB.

UFBA

Palavras-chave: dança moderna americana, Martha Graham, identidade nacional. 

 

Neste trabalho, proponho que Martha Graham, em sua fase de danças nacionalistas denominada “Americana” (1935 – 1944), consegue relacionar suas coreografias, em especial “Appalachian Spring” (1944), com a cultura nacional americana e construir sentidos de identificação através da narrativa de uma nação, conceito apresentado por Stuart Hall. Nesse viés, pretendo mostrar que a dança de Graham consegue (re)contar histórias da nação, (re)afirmando a cultura nacional e transmitindo esse discurso ideológico, como observo no ensaio de Janet Eilber, que comparo a um relato de experiência etnográfica, onde está presente a alegoria ou uma prática de narrativa ficcional. Reflito sobre a responsabilidade do artista em relação aos sentidos incontroláveis ou múltiplos significados que um trabalho de dança pode produzir.

 

 

 

 

 

Dança e tecnologia: novos suportes midiáticos digitais, novas configurações profissionais

 

Belkiss Amorim

Mestranda em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local UNA BH / Coreógrafa Prof. de Dança

UNA/ MG

Palavras-chave: Novas tecnologias, contemporaneidade, complexidade, inovações, corpo, imagem, profissionalização, mercado de trabalho.

 

A Dança ganhou mais visibilidade através das novas TICs ao se inserir no novo paradigma mundial: a sociedade da informação e do conhecimento, iniciando importante fenômeno de transformação nas configurações técnicas e artísticas.  

As interfaces tecnológicas digitais incorporadas pela Dança vêm agregar novos valores, desafios e parâmetros de complexidade, do ensino à realização do espetáculo. O impacto das TICs (fenômeno em processo) interferem na cena cultural e provocam a reconstrução de conceitos das configurações da Dança e suas interfaces. Buscamos nova significação para o corpo, o espaço e o tempo. A complexidade e os discursos transversais reforçam o pensamento do cubista Georges Braque, de que a função da arte é perturbar.  A complexidade potencializa inovações fundamentais para a evolução da Dança que passa por um processo de transformação imensurável ao incorporar a ciberdance, a vídeodança, a tecno-body-art, os suportes midiáticos, a robótica, a halografia, a imagem digital e a virtualização do corpo. É fundamental sua preservação como linguagem polissêmica, rica de significados e propulsora de “burburinhos” que movimentam a cena artística.  

Propomos o meio ensino/experimentação em interação com as possibilidades das TICs, para potencializar novas habilitações tecnoartísticas adequadas às novas necessidades profissionais da Dança Contemporânea. 
 
 
 

 

 

Territorialidades e absorção de saberes locais para uma formação acadêmica em Dança

 

Cecília Bastos da Costa Accioly

Aluna regular do curso de Mestrado (PGAC / UFBA) / Especialização em Gestão Acadêmica (Escola de Administração / UFBA) / Graduação em Licenciatura em Dança (Escola de Dança / UFBA)

PPGAC / UFBA

Palavras-chave:Territórios. Formação acadêmica. Dança

  

O trabalho intitulado “Territorialidades e Absorção de Saberes Locais para uma formação acadêmica em Dança”, autoria da mestranda Cecília Accioly, coreógrafa, professora substituta da Escola de Teatro/UFBA, sob orientação da Profª Dra. Lúcia Lobato, PPGAC/UFBA; problematiza a presença dos pressupostos de territorialidades e saberes locais em graduações em Dança no Brasil, através de um panorama curricular histórico de formação das universidades brasileiras até a aplicação das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2002. Consiste em comparar currículos, refletir sobre suas conseqüências nas atuais práticas pedagógicas, e indicar parâmetros para uma reformulação da dança na academia visando um novo percurso de construção do profissional de Dança. Fundamenta-se, principalmente na Teoria da Complexidade de Morin; no Conhecimento Comum e nas abordagens do cotidiano de Maffesoli; no conceito de saber local e culturas de Geertz; nas noções de territorialidade explícitas por Milton Santos e Bauman; nas identidades revistas em Hall e Bauman; e em teóricos/teorias pós-colonialistas e pós-estruturalistas. Far-se-á, também, uma análise sobre a construção do conhecimento sob uma perspectiva biológica – Maturana e Varela – em diálogo com as construções institucionais baseada em Foucault. A proposta é questionar a atual formação dos licenciados em dança e a sua capacitação para um diálogo competente para uma intervenção em suas culturas.

 

 

 

 

 

O efêmero, a repetição e a vontade de potência

 

Cesar Huapaya

Professor do centro de artes da  Universidade Federal do Espírito Santo-UFES / Coordenador do Grupo de Teatro Experimental Capixaba / Doutor em teatro pela Paris 8 / membro do grupo de etnocenologia da Paris 8

Palavras-chave: Performance, tempo,repetição e vontade de potência

 

  

 

As práticas espetaculares dos Djs na cena eletrônica em Salvador

Claudia Silva de Santana

Mestre em Educação

UNEB

Palavras-chave: Cultura; hibridismo; Djs; música; tecnologia; etnocenologia, performance 
  

     A música brasileira atravessa um momento peculiar na sua história. Enfrenta o impacto das novas tecnologias que margeia e caracteriza a sociedade da informação. A música tecno ou eletrônica é, no começo do século XXI, o exemplo mais acabado e popular de simbiose entre música e tecnologia. De maneira que a cena eletrônica em Salvador vem se configurando na atualidade como um dos espaços importantes de apresentações de Djs cada vez mais profissionais. Personagens importantes da música eletrônica, os Djs impressionam por suas práticas conceituais elaboradas. Neste contexto, um questionamento: quais as matrizes estéticas e culturais das práticas espetaculares dos Djs?A idéia é iniciar uma reflexão sobre aspectos espetaculares presentes nas apresentações dos Djs soteropolitanos, a partir dos conceitos de cultura, hibridismo, etnocenologia, performance e tecnologia. O elemento que estrutura a operacionalização da pesquisa é da ordem fenomenológica, posto que reconhece-se como essencial a interpretação que os sujeitos do objeto pesquisado têm sobre deste. O manejo de tais significações implica na articulação contínua entre duas funções: descritiva e crítica.


 


 
 
Narrativa oral: rastros na imagem da câmara

 

Inés Pérez-Wilke

Mestranda do PPGAC/UFBA / Professora da Universidad Bolivariana de Venezuela

Universidade Bolivariana de Caracas

Palavras chave: Teatro–Aspectos antropológicos, Oralidade, Mulheres, Narrativa (Retórica) , Videoarte

 

Estudo do registro, tratamento e re-elaboração audiovisual de sessões de narração oral no seio da comunidade de Alto das Pombas, na cidade de Salvador, Bahia, com o Grupo de Mulheres desta comunidade. Observação das potencialidades teatrais e espetaculares do encontro no seio do grupo primário que deixa na fita rastros do corpo e da voz atuando em distintos níveis. A textura, o tempo local e a simplicidade nas imagens e no som aparecem como características do material produzido assim como a diferença e o heterogêneo numa prática audiovisual comunitária criativa oferecem um diálogo com o real social.

 

 

 

 

 

Entre o visível e o não visível: as vozes do lugar teatral na paisagem das cidades de pequeno e médio porte em Portugal.

 

José Simões de Almeida Junior.

Pesquisador e encenador / Doutor.

Centro de Estudos Sociais (CES)- Núcleo de Estudos Sobre a Cidade e Culturas Urbanas (NECCURB).Universidade de Coimbra.

 

 

Para além das salas de teatro edificadas existem, também, os lugares teatrais não construídos para esse fim, fixos ou dinâmicos, como por exemplo, o teatro que acontece em barracões ou em outros espaços como bibliotecas públicas, pátio das escolas, rua, hospitais, entre outros. São lugares teatrais efêmeros que propiciam ao espectador, na sua relação com a cidade, “outro olhar” do espaço urbano.

O conjunto de imagens produzidas por esses lugares teatrais necessitam de recursos outros para poderem ser identificados e visualizados na paisagem das cidades, como a memória, a proximidade, a afetividade, o rito.

Assim, interessam refletir nessa comunicação acerca do modo como os indivíduos assimilam as interferências globais na produção local da atividade teatral, fora das metrópoles. Isto é, a fragmentação, deslocalização, multiplicação e o modo como se fazem visíveis os espaços da cena em espaços geográficos menores.

 Deseja-se apontar algumas pistas acerca destas “vozes” responsáveis pela elaboração do imaginário teatral contemporâneo nas pequenas e médias urbanidades portuguesas. Num tempo em que “não existem mais” a Grécia e as tragédias referenciais da polis; nem a força anárquica do medievo e seus autos nas praças; nem o drama bem posto do século XIX que revelavam as novas faces das cidades nos palcos dos edifícios ditos à italiana.

 

 

 

 

 

O corpo linguagem da performance: corpoespaçotempo

 

Laila Klair Araújo Pífano

Atriz-performer - Graduação

Universidade Federal de Ouro Preto

Palavras-chave: Palavras-chave: performance, corpo, linguagem, ação, instante, espaço, tempo.

 

Há uma certa contaminação de vida na performance, prolixa pelas vibrações latentes de um corpo que se coloca no meio dos destroços de uma arte em desconstrução. O trabalho objetiva discutir o corpo como linguagem da performance que, encarnado por devires, busca na experiência cênica sua singularidade. Não há acabamentos e moldes no corpo performático, seu processo de recriação é infindável e está na ordem do caos, onde encontra o seu não-lugar. A partir desta análise é possível compreender o “estado de corpo” na cena performática, que se manifesta dentro de um processo autofágico e através de sua desorganização torna-se capaz de se refazer a cada instante em busca da eminência da ação. Para tanto, é necessário ainda refletir sobre a atuação do corpo na construção e na desconstrução de imagens, capazes de revelar o desenho de uma linguagem cênica poética, onde não há palavras, nem ao menos semântica; o que se escreve é apenas o corpo no vazio e o vazio no corpo, que preenchido no espaço e no tempo torna-se ação. Assim, corpoespaçotempo é a manifestação total do corpo em ação na performance. Imerso na profundidade do instante, o corpo, em devir, torna-se capaz de se escrever no espaço e no tempo em que se faz presença, configurando-se como linguagem pura e viva da cena.

 

 

 

 

 

A voz do corpo e o corpo dos sem vozes: a loucura que encena pelas ruas e se mostra identitária

 

Lílian Leite Chaves

UnB

Doutoranda

Programa de Pós- Graduação em Antropologia Social, UnB

Palavras-chave: loucura, identidade, espetacularidade 

 

Este trabalho versa sobre o lugar dos loucos de rua no cotidiano e na memória da cidade de Ouro Preto. Esses loucos que caminham pelas ruas da cidade cumprindo sempre o mesmo trajeto e executando as mesmas ações, encenam para uma platéia que diariamente lhes dão deixas para que a atuação sempre ocorra. Falarei de alguns loucos que já morreram, mas que estão eternizados na memória dos mais velhos e homenageados em eventos, comemorações e estabelecimentos comerciais da cidade e, também, de quatro loucos que estão vivos e que caminham pelas ruas da cidade há mais de 30 anos. A loucura é sempre vista como um lugar da falta (de razão, de sociabilidade, de linguagem) e como estando de fora (da razão, da realidade, da memória), mas o caso dos loucos de rua da cidade de Ouro Preto inverte essa forma de ver a loucura e mostra, a partir de ações espetacularizadas, como a loucura está dentro e como ela se configura como uma das singularidades da cidade e como uma marca identitária da mesma.

 

 

 

 

 

Estado pirata: performance na rua em Brasis capitais

 

Maicyra Teles Leão e Silva

Professora e artista / Mestre em Arte Contemporânea

UFS - Universidade Federal de Sergipe – Brasil

Palavras-chave: Espaço público; performance na rua; intervenção urbana; arte e política sutil 

 

A partir da compreensão da Rua como ambiente público capaz de promover encontros de sutilezas e sinceridades, o texto elege a performance como mediador artístico que viabiliza sensorialmente a afetação de subjectos e sujeitos sociais, super-orientados esteticamente, que tornam-se autores de fatos e atos capazes de “roubá-los” de sua dimensão cotidiana.

      O texto aborda ainda a questão da constituição do espaço, a partir das fronteiras e limites com seu entorno, buscando compreender como se configura o espaço da rua e como este se relaciona com o acontecimento efêmero da performance. Para tanto, partindo de investidas práticas, busca apontar alguns aspectos relevantes do acontecimento performático e a forma como esse se molda e é permeado pelo transeunte/habitante, que compõe o espaço público.

      As intervenções artísticas são também contrapontos em relação ao espaço, tempo e movimento da cidade. Um corpo estranho que desvenda e ativa outros espaços de significados e memórias. Ela é realocada em um outro ambiente contextual onde o foco das pessoas que o configuram é disperso e desprovido de uma percepção “educada” para a arte.

      Como ações norteadoras, apresentarei imagens e relatos de ações performáticas como “Experimentos Gramíneos”, “Afora”, “Zona de Confronto”, “Paulistanos” e “Cama”. 

 

 

 

 

 

A figura da baiana na cena da canção popular brasileira-baiana

 

Marilda de Santana Silva

UFBA

Doutora / Cantora / performer / professora da UFBA

Palavras-chave: Etnocenologia; Baiana; Canção.

 

A história, recentemente, tem aportado contribuições relevantes ao estudo da figura da baiana como um ícone mestiço, fazendo referência a matrizes culturais de identidade baiana e brasileira. Nos trabalhos pesquisados, em grande parte, faz-se referência à figura de Carmen Miranda como sua maior representante. Pretende-se ampliar o estudo deste processo, em andamento, por meio de pesquisas de caráter transdisciplinar, enfatizando a multiplicidade dos campos. Dessa maneira, propõe-se uma reflexão sobre a contribuição da etnocenologia para uma abordagem compreensiva destas práticas e comportamentos humanos espetaculares próprios a este estudo organizados no ambiente da sociedade brasileira\baiana. Busca-se analisar a representação da personagem/tipo que povoa desde o Brasil Colônia, representada por gravuras de Debret e Rugendas, passando pelos personagens encenados nos teatros de Revista na República, pela literatura em títulos de Jorge Amado, Aloísio de Azevedo, pelas canções de Dorival Caymmi e Ary Barroso. O estudo desta personagem/tipo presente no cancioneiro nacional/local pode se configurar, como uma oportunidade de desenvolver experimentações espetaculares interdisciplinares sobre o hibridismo étnico, artístico, cultural brasileiro e as questões cênicas, corporais e vocais a ele associadas.

 

 

 

 

 

 

 

Teatro dialético e violência urbana: perspectivas de uma etnocenologia participativa

 

Maurilio Andrade Rocha

Doutor / Professor Associado 

Escola de Belas Artes - UFMG

Palavras-chave: Etnocenologia participativa; teatro dialético, violência urbana.

 

A Cia. teatral ZAP 18 estreou em 2006 o espetáculo Essa Noite Mãe Coragem, inspirada na conhecida peça de Brecht. A montagem do grupo caracteriza-se por abordar a atual realidade da violência urbana no Brasil, gerada especialmente pelas desigualdades sociais e pelo tráfico de drogas, aproximando-se do tema de forma dialética e apresentando vários lados da questão. O curso de Teatro da Escola de Belas Artes da UFMG é parceiro desse trabalho através da colaboração de professores na criação do espetáculo e da presença no elenco de cinco alunos de graduação em Teatro como atores e bolsistas de Iniciação Científica. Entre os aspectos marcantes da encenação podem-se destacar o local escolhido para as apresentações (a sede do grupo no periférico bairro Serrano ou em outros locais de iguais características), a inserção de temas musicais considerados marginais como o rap e o hip hop, a inclusão de atores amadores da comunidade local no elenco e a abertura de espaço ao final de cada apresentação para que o público apresente suas reflexões e relatos de vivências pessoais sobre a temática abordada. No atual momento, pretende-se avançar na relação com a comunidade residente no entorno da sede do grupo, estreitando contatos que parecem se adequar ao conceito de etnocenologia aplicada, tomando-se por base os caminhos já percorridos pela etnomusicologia.

 

 

 Ação musical no território da encruzilhada

 

Mauro Rodrigues

Mestre em musicologia / Professor e músico.

Conservatório Brasileiro de Música / UFMG

Palavras-chave: Ação Musical

 

Este texto abordará de forma sintética os trabalhos de Stanislavski e Grotowski, alinhando-os contrastivamente. Em sua síntese pretende relacionar os principais conceitos desenvolvidos pelos dois encenadores/diretores/atores/teóricos, pontuando seus pontos de conexão, tangência e os diferentes resultados a que chegaram e se propuseram em seus respectivos trabalhos.

Para a Stanislavski a enunciação do texto é ponto central da ação, como uma “ação verbal”.  Para Grotowski, a voz é instrumento de “ação vocal”, aonde a palavra vem desempenhar um papel diverso, e o sentido abre espaço para a sonoridade, com todas as implicações que isto tem na ação. Um vai ao espetacular e o outro ao ritual.

O passo seguinte será a construção de um conceito, uma idéia que batizo de “ação musical”. Tal empreendimento consiste de identificar, na “Suíte para os Orixás” composição musical para sexteto e orquestra de cordas, considerada como exemplo de performance, corpo e imaginário na composição musical, ações de cunho musical, mas que também extrapolam a teoria normalmente utilizada em música, e que sejam aspectos que correspondem em similaridade, a “ação verbal” no que diz respeito ao nível de interpretação do texto musical e “ação vocal” no que diz respeito à performance.

 

 

 

 

 

 

Luís Otávio Barata: uma performance política no Pará

 

Michele Campos de Miranda

Mestranda/Unirio – atriz e pesquisadora

Palavras-chave: performance política; corpo; Luís Otávio Barata; Belém

 

Luís Otávio Barata, diretor, dramaturgo, cenógrafo, figurinista, jornalista e artista visual paraense, abalou a cena provinciana da cidade de Belém durante três décadas, 1970 a 90. Arte e vida trazidas em sua diversidade humana e seus aspectos políticos perseguem a trajetória do artista, que por fim recriou a própria vida morrendo para o mundo artístico de Belém e sobrevivendo como um anônimo personagem perdido na fuligem sampaulina. Como norte teórico desta pesquisa, destacamos os Estudos da Performance e do ritual na cena – tão presentes na obra de Barata – com vistas ao rompimento com o tradicionalismo cultural estático no contexto de Belém; além do uso da estética gay na cena, que analisaremos à luz de Bakhtin, Artaud, Genet e Lyra, dentre outros. Outro elemento marcante em seu processo é a mistura de atores e não-atores em cena como forma intencional de experimentar a partir de histórias e narrativas de vida – a “autoperformance” de Ligiéro (1989) – de travestis, veados, cafetões, ladrões e putas, que provocavam um choque nos padrões e comportamentos considerados morais. Sua cena estabelece princípios éticos e estéticos da homossexualidade e seus preconceitos associada à questão étnica e racial, numa colagem erótica e pornográfica aliada a textos e imagens sacros que, derrepente, explodiam num batuque ao vivo.

 

 

 

 

 

Blocos Afros: Práticas espetaculares numa cidade transatlântica. 

Nadir Nóbrega Oliveira

UFBA

Palavras Chave: Afro descendência. Dança. Etnocenologia

 

     A finalidade deste texto é procurar caminhos que dêem visibilidade e expressão a existência de corpos, danças e práticas espetaculares dos blocos afros Ilê Aiyê, Olodum, Male Debalê e Bankoma na cena contemporânea como parte constitutiva da cultura baiana. Minhas indagações partem do problema que constato de que apesar da presença dos blocos afros em Salvador as suas danças ainda não são contempladas significativamente pela academia como parte constitutiva da cultura baiana. O texto traz a baila o meu próprio percurso de desenvolvimento como pesquisadora, dançarina, professora negra e baiana, sim senhor!

 

 
 



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